domingo, 30 de outubro de 2016

Relato de parto de Stefane Fernandes e Helena

Relato do parto...
Antes de relatar o parto em sí, é necessário abordar a quebra de um paradigma familiar que perdurou por muitos anos.
Devido ao sofrimento de uma violência obstétrica sem tamanho minha mãe perdeu a primeira filha, planejada, a sonho em formar uma família foi por água abaixo naquele momento, fazendo um trauma sem tamanho.
Iniciei minha gravidez com um acompanhamento de outro médico que pôs seu ponto de vista sobre a cerárea e a “segurança” que ela tem, e por incrível que pareça meu marido que me atentou pela escolha da via de parto vaginal, com uma simples pergunta: “-Amor, pq não tentamos um parto normal? Dizem que a recuperação é mais rápida”. Alí veio minha curiosidade e então pude conhecer uma equipe muito Humana e um médico que parece fora desse planeta por ter me tratado de forma tão bela, como todos deveriam ser, mas não são.
No dia 29/10 às 21:30h, comecei a sentir as contrações e sabia que não seria “alarme falso” meu instinto me dizia, a euforia entrou em cena, eu e meu marido ficamos “abobados” kkk a playlist começou a tocar e chamei minha irmã. Então logo liguei pro Dr.André que me informou sobre o espaçamento das contrações e orientou. Entre 00:00h e 01:00h senti minha bolsa estourar e alí as contrações foram ficando mais intensas, ele chegou e constatou que havia estourado, contudo me tranquilizou e pediu para que eu fosse descansar pois ainda estava “longe” do parto em sí, eu descansei? Não, claro, estava mt feliz. Tempos depois as contrações foram ficando mais e mais intensas, ainda aceitei os exercícios na bola, no rebozo e afins, o que não aconteceu pouco tempo depois, entrei em uma parte onde eu não conseguia mais controlar minhas ações, gritei, chorei, sorri, mordi leçóis, apertei os braços disponíveis, senti tudo isso dentro de mim ao msm tempo e sempre com o apoio do meu marido que se manteve calmo o tempo TODO, pelo menos perto de mim rsrs. Chegou um momento em que eu senti a suma necessidade de uma analgesia, me senti culpada por isso, mas logo eu pensei que aquilo era um parto humanizado, e eu tinha o direito de uma escolha que foi extremamente necessária para eu pudesse fazer minha filha nascer aliás já era 22:00h do dia 30/10, sim, do dia 30/10 façam as contas aí pra ver o tempo. Eu estava cansada, mas de fato a analgesia só aliviou no máximo 30% e tive total liberdade pra andar, tentar outras posições e etc. Fiz força e senti a cabeça dela, pedi ao Dr. para colocar a minha mão e senti o cabelinho da Heleninha, isso me deu mta força pra lutar pelo nascimento dela. Com uma equipe comemorando a saída como se fosse final de copa do mundo, lembro dessa parte com muito amor ❤ , finalmente senti a melhor sensação do mundo pra mim, ahhh sentir a Helena saindo de dentro de mim, “degustei”, apreciei cada parte do corpo dela saindo, cabeça, os ombros, pés, cordão...Se eu fechar meus olhos sinto agora. Alí foi uma bomba de amor, explodi, vi seu rosto e o leite foi logo saindo, eu olhando pra ela e ela com os olhos bem abertos olhando pra mim, aliás ela saiu de olho aberto hehehe. Eu tive o parto que queria ter, pela via que eu escolhi, pois acima de tudo tive um parto de muito amor e respeito. Me sinto a mulher mais poderosa do mundo por ter quebrado tantos paradigmas outrora presentes na minha vida, eu fiz minha filha nascer. Pude fazer meu próprio parto, obrigada por tudo! A equipe é maravilhosa, médico sensacional!
Vai um agradecimento especial ao meu marido, sei que não foi fácil me ver naquele momento, mas você se manteve totalmente controlado, anos luz mais do que eu hehehe em prol deste bem maior. Te amo e te respeito muito mais que antes e olha que eu achava impossível, obrigada por ter feito o significado do nosso amor em matéria.
À nós mulheres, somos capazes antes de tudo de termos um parto ideal, ideal para nós com nossas especificidades, Humanizado, onde somos respeitadas. Nós podemos parir, temos que continuar esta luta para que muitas outras possam ter este direito assistido com dignidade, pois enquanto escrevo muitas estão em hospitais na situação que minha mãe se encontrou.
Obrigada Senhor!
Sim, juntas nós podemos muito mais!

sábado, 22 de outubro de 2016

Nascimento do Theo - por Debora Inojosa

"21 e 22/10/2016! Para nós, esta data jamais terá o mesmo significado..... a partir deste ano, será o dia mais feliz de nossas vidas!
E hoje, venho trazer o relato deste grande dia! Antes, gostaria de explicar o porque do relato... Quem está "fora" deste universo, deve ficar se perguntando, o porque das "humanizetes"! relatarem seus partos. Os relatos são de extrema importância para quem ainda vai passar por este momento, eu lia e aprendia muito com cada relato, e tenho muita gratidão por todas que se disponibilizaram a expor, suas experiências. No dia do meu parto, lembrei de cada relato, segui várias dicas, evitei várias situações que já tinham sido sinalizadas por outras gestantes, ser desfavorável... e assim, vamos buscando o melhor estado para este grande dia. Desta forma segue minha pequena contribuição para outras gestantes.... Vou ter que começar do começo! Aos três meses de gestação, quando cheguei timidamente a equipe Humanize e ao Dr André. Minha intenção era bem simples, estava grávida e queria um bom médico para uma césarea! Não conhecia nada do mundo humanizado, do parto, nada sobre parto normal ou natural, aliás este tipo de parto era totalmente fora de cogitação no meu pequeno mundinho. Sempre me achei super sensível a dor, então passar por este tipo de parto não era algo nem sonhado. Bom, apesar disto, estava empenhada em fazer o possível ter uma gestação tranquila e um bom parto (cesarea). Participei de tudo que pude, rodas de conversas, oficinas, chá de bênçãos, pintei a barriga, absorvi tudo que eu pude do Humanize! Meu marido, Fabio Poplawski Ribeiro também participou do que pode, e estas participações foram essenciais para o dia do parto. No dia do parto, estávamos empoderados, este era o sentimento. Sabíamos o que viria no momento seguinte, e esta segurança obtivemos através das nossas consultas com Dr André e equipe do Humanize. Ao longo da gestação, sem perceber o momento que aconteceu, eu já estava totalmente mergulhada no mundo humanizado, inteirada da importância do parto independente do escolhido, porque sim, a césarea lá também é respeitada, tudo é respeitado, esta é a humanização. Bom, mas para não me prolongar mais do que já estou prolongando, vou adiante... Sendo impulsionada pela equipe mencionada de que sim, eu seria capaz do parto normal, eu comecei a pensar nesta possibilidade ainda remota! A cada consulta e grupo, meu desejo ia se fortalecendo. Os grupos! Tão importante... As gestantes ali, trocando informações, em uma energia positiva, ajuda mútua, que só quem participa entende! Decidi ao menos entrar em trabalho de parto, e tentar! Quando decidi entrar em trabalho de parto, decidi também que precisava de uma doula, no Humanize temos três maravilhosas, então, este não seria o problema. Leticia Pimentel Andrade Andrade me acompanhou,ressalto aqui, que a participação da doula para mim é essencial neste tipo de parto...
Dia 21/10/2016, minha bolsa estourou no fim de tarde, como mencionei acima, a calma é a palavra que define este momento, porque eu e Fábio, sabíamos exatamente o que aconteceria nos momentos seguintes. Pouco tempo depois, começou meu trabalho de parto, que já chegou intenso! A equipe chega a minha residencia, atenta a cada momento da evolução, a doula Leticia, o obstetra Dr André, minha querida, amada, Dr Maria Cristina, e meu marido Fábio, (que se revelou no meu trabalho de parto, com uma atenção sem igual, uma força neste momento, uma calma, tranquilidade, que nao parecia um papai de primeira viagem!) Foi preciso um tempo para conseguir me concentrar e aceitar as contrações. Sim, aceitar. As primeiras contrações eu me entreguei a dor, gritei, me descontrolei, queria parar aquilo tudo, o foco estava no tamanho daquela dor, que parecia ser insuportável, e eram só as primeiras! Passado este momento, com a ajuda de todos que mencionei, fui me acalmando, e buscando alternativas para lidar com as contrações. Lutar contra elas não iria funcionar, é como tentar enfrentar as ondas de um mar revolto. Como dizia Leticia, eram aquelas contrações que trariam meu bebê, então eu precisava delas. Então, como ondas precisava entrar no ritmo, e seguir. Assim, caminhou o restante da madrugada, a doula com suas técnicas para amenizar a dor física, Dr André acompanhando o meu estado e o do bebê, Dr Maria Cristina cuidando do meu estado emocional, e meu marido dando suporte a tudo isto, e me apoiando a cada momento. Perto de 4h da madrugada era chegada a hora! Finalmente as contrações tinham feito o seu papel, porém, é necessário não pensar no tempo! Isto não importa, na hora que for para chegar, vai chegar, tudo no seu tempo, sem pressa.... nada se controla, se aceita. Theo já estava prestes a chegar. Corremos para o hospital, Theo chegou 04:55h, no quarto do hospital, quando eu falo quarto, é isso mesmo! Nao precisei entrar no centro cirúrgico, nenhum ambiente parecido, um presente! gracas a esta equipe que me acompanhou, tudo aconteceu de uma forma natural, nenhuma intervenção cirúrgica desnecessária. Theo mamou na primeira hora de vida, troucou de roupa no quarto.... um parto natural lindo! Conseguimos o que eu nem havia sonhado, por achar tão distante da minha realidade! Foi através desta equipe que a informação chegou até mim, e pude mudar totalmente a rota da minha vida e a de Theo. A esta equipe a minha eterna gratidão, e o sentimento enorme de: vocês conseguiram mudar vidas, através do emponderamento e informação, trabalho esplêndido. Não encontro mais dentro de mim aquela Débora que queria a todo custo a césarea! Aqui, falo do desejo, caso fosse necessário a césarea, esta seria feita e bem vinda mediante ao principal, o meu bem estar e o do Theo.
Se alguma gestante me perguntar alguma "dica" para este momento, eu diria algumas:
- Informação! Pesquise, conheça o processo, principalmente a parte emocional, a parte técnica a equipe da conta!
- Escolha uma equipe que confie, e deixe as avaliações técnicas para esta.
- Menos é Mais. Análise quantas pessoas estarão com você no trabalho de parto.
- É necessário se agarrar a algo, uma âncora, no trabalho de parto. Se é uma pessoa espiritualizada, se apegue a sua fé.
- Malas prontas com antecedência....
Bom, acho que é isso! Cada uma vai viver sua experiência, que é única, o objetivo aqui é contribuir para a sua construção! E acreditem, passado todo este momento, morro de saudades do dia do parto! Se pudesse voltaria sempre ao dia 21/10/2016! E, a dor é só um conceito! RS
Beijos!

(Relato de Parto por Debora Inojosa - Nascimento do Theo)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Parto e Parir - Luta e Luto!

O parto foi para mim uma das experiências mais difíceis que já passei na vida. Daí o nome do título luta e luto... E não consigo relatar meu parto sem falar do parir. Para mim estão caminhando juntos desde o final da gestação. É estranho porque no final existia a ansiedade da espera, certo sentimento de que já tinha que ter acontecido devido a espera, mas ao mesmo tempo hoje percebo que já havia um luto pelo final da gestação...
Quanto ao parto o que se abriu foi um luto pelo ideal imaginado e pelo desfecho possível.
Eu não consegui ter o parto natural nem normal que havia planejado. Senti-me muito triste nos primeiros dias e ainda sinto, das coisas terem tomado o rumo que tomaram. Queria ter sido dessas mulheres que em minha fantasia - e a gente ouve por aí - parecem parir com tanta facilidade... 
A pergunta que me vinha era como ter tomado outra decisão (um pedido por cesariana) naquele momento? Diante da exaustão física e emocional que se abateu sobre mim? Não sei quando as coisas começaram a sair do controle. Na última semana que antecedeu o parto comecei a apresentar um inchaço nas pernas e pés. Lembro que no parto o inchaço me causava grande incômodo, um grande mal-estar. Pernas, pés, corpo muito inchado. Não sei se foi isso que me causou tanta sensação de dor em determinado momento do trabalho de parto. Talvez nunca saiba... 
Sei que a partir de certa hora, mesmo toda dilatada, comecei a perder o controle da situação. Pedi para ir ao hospital. Lembro do André dizer que aquilo não seria muito bom (algo assim). Não sei se ele já estava prevendo o abatimento que se debruçava sobre mim e que eu poderia sucumbir.
Ficava pensando que havia me preparado para um parto natural e que queria tanto ter podido dizer “eu consegui”. Numa das consultas lembro do André trazer uma metáfora: “parto é como uma obra, você planeja, mas quando começa coisas novas irão surgir e teremos que lidar (algo assim). E foi assim, tivemos que lidar com o possível e não com o idealizado.
O parto como um momento derradeiro não tem como voltar atrás. Bem que eu quis um intervalo, eu pedi que aquilo cessasse que eu tivesse paz para, de repente, poder recobrar as forças e decidir, mas era dali para frente. Não tinha como voltar atrás. E diante do inevitável que é parir, não pude naquele momento tomar outra decisão.
Lutei para lidar com o mal-estar físico durante o trabalho de parto, as dores, os incômodos, o tempo do corpo enquanto eu pude. Hoje luto para recuperar-me, restaurar-me e reconstruir-me após a experiência de parir que para mim vem representando um fechamento de um ciclo e abertura de outro com tantas e variados sentimentos.
Entre a dor e a alegria do parto e do parir também tive conquistas. Segundo André, “tive todas as vantagens do parto normal, independentemente do desfecho”. Rafaela nasceu com 41 semanas. Pude vivenciar uma boa parte do que é entrar em trabalho de parto – não consegui suportar o período expulsivo. Ela mamou na primeira hora de uma forma surpreendente. Nasceu tão madurinha que sugou direitinho desde a primeira vez. Abriu seus olhinhos assim que saiu de dentro de mim e deu sorrisinhos largos nas primeiras horas! O papai cortou o cordão, foi sua primeira manicure! Tem ajudado de forma linda nos cuidados com Rafaela! Sem contar que minha placenta virou um lindo quadro!
A recuperação da cesariana foi chatinha nos primeiros cinco dias, o inchaço demorou um pouco para ir embora. Leticia continua me ajudando muito, sessões de drenagem, doulagem, loooongaaasss conversas e risadas também!! GRATIDÃO!
Estamos indo bem! Nos recuperando e absorvendo aos poucos tantas novidades! Cada dia lidando melhor com o luto do inevitável do seguir da vida, com o inevitável que é parir, com a despedida da gestação. Com a abertura de questões que o lugar de “mãe” pode suscitar em nós! Mas cada dia melhor!
Agora preciso falar: Que lugar difícil do médico e da doula! Afinal quando saber a hora de ir ou de parar, de oferecer ou sucumbir a um pedido de um paciente por algum procedimento? Admiração por quem sustenta estes lugares tão difíceis!!!
Amei conhecer a proposta de humanização e o Humanize! Ainda preciso aprender muito, pois apostar nesses resgastes é andar contra a correnteza do “tempo é dinheiro”. É trabalhar com outra temporalidade, com outra perspectiva, com outro modo de lidar com a produção e com o corpo. Agora estou lidando com esses valores na amamentação! Estamos caminhando!
Meu marido e eu temos plena confiança nesta equipe! Temos plena confiança que fui cuidada tempo integral! Queremos deixar nossa GRATIDÃO a todos da Equipe, pelas oficinas que participamos, foram e tem sido, essenciais! Nunca me senti tão bem cuidada como na gestação. Na maravilhosa pintura de barriga, um mimo que amei! No chá com as Doulas! Nos registros! A todas as mamães e gestantes que conheci, que pude trocar! 
Quero muito deixar minha gratidão em ESPECIAL ao André e Leticia pelo apoio incondicional! Por passarem a noite e boa parte de um dia em casa, por terem de lidar também com os desfechos diferentes dos idealizados e compartilhados no plano de parto e nas oficinas. 
Já aguardando ansiosamente o encontro do grupo Nascer 2 que em breve tornará um grupo de Puerpério. O caminhar e o aprendizado continuam e quero continuar apostando nas trocas, no afeto e no apoio mútuo que encontrei no Humanize!
Estamos cada dia melhor e nos fortalecendo! Vida que segue com muita ocitocina!

(Por Emeline Costa)

sábado, 8 de outubro de 2016

Relato de Parto - Nascimento da Alice

Alice chegou nesse final de semana em um sábado ensolarado de primavera. Quinta-feira foi meu ultimo dia de trabalho e achando que ela viria apenas daqui a alguns dias, estava com tudo planejado pra curtir meus últimos dias sem "compromissos". Encontro do Humanize de manhã e casamento no final da tarde.
Massss ela sacou que "mais nada estava faltando" e pq esperar?! Pois bem, eu com as minhas 39 semanas comecei a sentir os primeiros sinais por volta de meia noite da madrugada de sexta pra sábado. Por volta das 2 da manhã as cólicas já estavam ficando diferente e com um pouco de receio achando que poderia ser um alarme falso, até pq nunca tinha sentido contração, falei com minha maravilhosa Doula Dani e partir daí tudo começou a encaminhar. Tudo que estudei e todo suporte que tive do @humanizesaudemacae durante esse tempo todo de gestação, de fato serviu pra esse momento.Em nenhum momento tive medo, muito pelo contrário, a confiança em Deus, em mim e na minha "rede de apoio" era muito grande. Pois bem, la pras 10:00 que o bicho começou pegar e a Dani chegou na minha casa e começamos a contar as contrações. Já estava bem ritmada e meu maravilhoso médico obstetra Dr. André pediu q mesmo assim eu fosse pro encontro da praia. Fiquei muito feliz não Pq as contrações eram cada vez mais forte. Cheguei no encontro não estava muito simpática. Quero até pedir desculpas a todos que vieram falar cmg lá, mas estava de fato sentindo dor...hehehe. De lá, Dr. André foi me examinar, estava tudo bem e já estava com 3 de dilatação. Decidimos partir pro hospital, era umas 14:00 e aí que eu "abracei" a causa. As contrações vinham e a Dani juntinho comigo. Massagem pra lá, massagem pra cá, banho daqui, banho de lá, vaso sanitário daqui e vaso sanitário de lá ( eu tinha vergonha de fazer coco na frente de todo mundo, masssss de fato é super normal....haha...tanto que depois nem liguei mais). Dr. André examina, tudo fluindo muito bem. Marido super me apoiando. Minha mãe chega e so ouço ela dizendo: -"Se demorar muito tem que fazer cesárea.." Mandei vazar!!!! Kkkkk... É mãe eu sei, mas esse tipo de comentário naquela hora não caia muito bem. Desculpa Mãe!! Voltando...fiquei quase o tempo todo na água e quando estava no final, foi quando o bicho pegou mesmo. Eu quis ser diva, mas não conseguir. Gritei mesmo...e Deus deve ter me ouvido muito também. Como eu clamei por Ele eu sei que foi Ele que me deu força para não pedir "anestesia" e nem cesárea. Acredite, não me passou sequer na minha cabeça esta possibilidade. Fui pra cama, e devo ter ficado na fase de expulsão uns 40 minutos. Tudo que eu havia estudado, absorvido, aprendido, assistido, foi passando na minha cabeça e isso foi me ajudando a controlar a situação. Orava bem baixinho pedindo força a Deus e incentivada pelo Dr. André, a Dani e meu marido, a Alice começou a dar as caras. De cócoras e depois de 4 e acho que de cócoras de novo em cima da cama, quando a última contração veio eu fui com toda a minha força e tchummmm: nasceu!!!! Alice nasceu quase dentro da bolsa que só "estourou" no final e foi lindo as 17:35 do dia 08 de Outubro. Foi do jeito q eu sonhei. Ela veio direto pros meus braços e consegui ali mesmo ver a emoção do meu marido (fiquei emocionada...😭) que rapidamente veio até mim e me deu um beijo. Amamentei ela logo nos primeiros minutos e praticamente todo atendimento foi ali juntinho comigo. Eu não fui privada em nenhum momento das minhas vontades durante todo o trabalho de parto, eu comi e bebi água tá? E eu só tenho agradecer a Deus, ao meu marido, aos poucos amigos que de fato me apoiaram, ao Dr. André Gervásio, a minha querida e fofa Doula Daniela Lima Doula e a todos do Humanize Macaé. Sem vocês nada disso teria acontecido, de verdade. Obrigada de montão mesmoooo! É possível ter um parto normal, sem sofrimento, sem cortes, sem laceração, sem "anestesia" e sem violência. É possível ter um parto normal lindo, intenso, rápido, maravilhoso e por que não gostoso? Ah, e isso na foto é uma placenta ta? E eu não comi tá? Parto normal humanizado não precisa disso...hahaha. Eu queria escrever mais e mais, mas vou ficar por aqui. Estou muito à disposição para trocar experiências pra quem tem interesse. Já estou em casa desde ontem de manhã, linda (modéstia), disposta (me controlando, pois tenho que ficar de resguardo), cuidando da minha filhota e super apaixonada pela vida.


(por Ana Carla Soares)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Relato de Parto da Larissa e da Isabela

Relato de parto Isabela
O texto de hoje é longo e demorou a sair, mas eu não poderia escrever sobre um dos momentos mais marcantes da minha vida de forma superficial, sem tentar aprofundar nos significados pessoais e na forma como minha alma sentiu essa experiência. Resolvi escrever esse relato relacionando-o a um outro momento da minha vida, pois na minha forma de enxergar as vivências, ambos estão muito conectados.
Antes mesmo de engravidar, li vários relatos de parto e todos eles foram de extrema importância para a construção, no meu imaginário, do meu próprio parto. As experiências e o apoio que recebi de mulheres próximas também foram essenciais. Gostaria de dedicar esse relato a todas vocês, em especial à minha mãe, Kátia e a Anne Kelly e Karen. Imagino que você, Karen, não tenha nem noção disso, mas foi a sua experiência que plantou a sementinha do parto humanizado no meu coração. E sou tão grata a isso que se minha experiência puder também ser uma sementinha a pelo menos uma mulher que consiga viver o parto de forma tranquila e sonhada, me sentirei ainda mais feliz.
Voltando às vivências, em janeiro de 2014, eu e Eduardo fizemos uma viagem para conhecer Machu Picchu. Estávamos semi sedentários na época, mas estávamos com muita vontade de fazer a trilha inca. Optamos pela trilha inca curta, em que, em um dia caminharíamos por cerca de 8 horas, vencendo degraus de pedra em meio à floresta amazônica e numa altitude que não estávamos acostumados. E fomos em um período de muita chuva...
Acordamos às 03:00 da manhã para irmos até uma estação ferroviária, onde pegaríamos um trem que nos levaria até o início da trilha. No meio do caminho o trem parou e ficamos esperando por aproximadamente 40 minutos, sem saber o que estava acontecendo. Passados os 40 minutos fomos informados que, devido às chuvas, havia ocorrido um deslizamento de terra e o trem não poderia continuar, mas que nós poderíamos caminhar por cerca de 2km seguindo os trilhos até chegar ao início da trilha. Ao chegar ao início da trilha esperamos por mais ou menos uma hora até os guias começarem a chegar, pois eles estavam se informando se havia condições de realizarmos a caminhada. Com essa junção de fatores iniciamos nossa caminhada por volta das 09:00 e, com isso, já sabíamos que demoraríamos mais que o previsto para concluir a trilha.
Nos primeiros quilômetros da caminhada aconteceu algo que me marcou e que me fez contar essa história junto com o meu relato de parto. O nosso guia e Eduardo iam conversando e caminhando rápido à minha frente e eu comecei a ter taquicardia, por causa do esforço somado à altitude. Nesse momento eu não consegui falar para eles pararem (minha voz não saía), então entrei em pânico e fui caminhando (quase desmaiando) e chorando atrás deles. Nisso o Eduardo olhou para trás, viu meu desespero e parou pra me acudir. No que paramos e esperamos alguns minutos, minha taquicardia foi passando e eu comecei a me sentir bem de novo. Nesse momento eu percebi que não precisava me desesperar, era só seguir o meu ritmo e os sinais do meu corpo que chegaríamos lá, mesmo que demorasse um pouco mais. Segui focada nisso e mais ao final da caminhada, era Eduardo quem pedia pra parar na maioria das vezes, rs.
Enfim, concluímos a trilha no nosso tempo, sem termos nos preparado antes e com as intercorrências devido às chuvas, e a sensação de desafio vencido somado à beleza da vista, é indescritível.
Em janeiro de 2016, assim meio despretensiosamente, veio o positivo tão desejado. Logo comecei o pré-natal, os cursos e os encontros com o Humanize. Já sabia que queria um parto natural e sabia que teria grandes chances de ser respeitada e acolhida por essa equipe linda.
Nesse momento peço licença para me referir ao Dr. André Gervásio apenas pelo nome. Eu e Eduardo respeitamos muito os seus anos de estudo e dedicação à medicina, mas o temos como um amigo e acho mais pessoal chamá-lo simplesmente por André, se não se importa. E se é pra desmedicalizar a gestação e o parto, façamo-lo através das palavras, hehe.
Na primeira consulta, André fez uma comparação entre o parto e uma maratona (https://www.facebook.com/brauliozorzella/posts/1705752546351482). Como eu detesto correr eu substituí a ideia da maratona por trilha, especialmente pela experiência que eu tinha tido. Eu pensava “assim como eu fui capaz de fazer a trilha sem ter me preparado direito, imagino que eu também seja capaz de parir sem muito preparo, meu corpo foi feito pra isso”. Mas claro que eu sabia o quanto o preparo era importante.
Esse preparo físico e emocional, sempre foi incentivado e até cobrado pelo André. Uma das formas de preparo indicadas por ele foi a leitura do livro Parto Ativo (eu encontrei aqui - http://www.ilithia.com.br/pro…/livros/livro-parto-ativo.html), que é excelente. Aliás, se você estiver em dúvida se a equipe que a acompanha durante pré-natal é mesmo humanizada, leia o livro e pergunte para seu médico se ele também já leu. Estude muito e questione sempre.
Outras formas de preparo para o parto foram também a prática de atividades físicas, e principalmente o preparo emocional. No meu caso, todo o material que eu já vinha estudando antes da gravidez, os encontros e conversas com a equipe Humanize, suas gestantes e puérperas, a prática de pilates e as aulas de dança materna para gestantes foram essenciais. E aqui cabe a minha eterna gratidão a três mulheres que foram anjos da minha gestação: Leticia, doula, Luciana, professora de pilates eFarid, professora da dança materna! O trabalho de vocês é excelente, mas muito mais importante que o trabalho em si, o amor com que vocês o fazem, emanando lindas vibrações para mim e minha família... não tenho nem como descrever quão feliz me sinto!
Tive uma gestação super tranquila.. Tão tranquila que durou 41 semanas e 5 dias. O primeiro sinal da chegada da Isabela (a perda do tampão mucoso) só apareceu quando eu já estava com 40 semanas e 4 dias de gestação. Depois que saiu o tampão eu comecei a sentir uma ou duas contrações ao longo do dia, todos os dias, mas nada de engrenar. Eu que desejava parir um bebê empelicado, agora já torcia para a bolsa romper e assim entrar em trabalho de parto.
Com 41 semanas e 4 dias de gestação (27 de setembro) tive minha última consulta. O quadro continuava o mesmo e André, pela primeira vez fez um exame de toque. Eu estava com 1,5cm de dilatação e colo quase 100% apagado. Durante o exame ele fez um descolamento de membrana e eu não achei dolorido, senti apenas um leve incômodo. No mesmo dia cheguei a sentir algumas contrações, sem ritmo ainda.
No dia seguinte (28 de setembro), às 05 horas da manhã, aproximadamente, acordei com uma contração e não consegui dormir mais. Finalmente elas estavam ritmadas. Após alguns minutos Eduardo acordou e eu pedi pra ele começar a contar as contrações no aplicativo – 10 a 12 minutos entre uma contração e outra. Como o intervalo estava grande, fui tomar um banho pra ver se as contrações paravam. Debaixo do chuveiro elas não pararam e veio o pensamento “é, parece que estou em trabalho de parto, mas pelo visto saporra vai demorar pra caramba... se eu estivesse no hospital agora talvez eu pedisse uma cesárea” pouco antes de respirar fundo e pensar “mas calma, esse é só o começo da trilha, na hora certa você terá sua linda vista lá de cima”.
Saí do banho e tentei tomar café da manhã, nisso veio o primeiro vômito. Desisti de comer, parei de responder o Whatsapp, pedi pro Eduardo avisar minha mãe que eu estava com algumas contrações e depois colocar o filme Wild (Livre) para assistirmos. Nós já havíamos assistido ao filme e eu havia dito ao Eduardo que queria assisti-lo novamente durante o meu trabalho de parto. Isso porque ele conta a história de uma mulher que – adivinhem só – supera vários desafios físicos e emocionais ao longo de uma trilha que ela percorre sozinha atravessando os Estados Unidos. Inclusive algumas músicas do filme também estavam na minha playlist de parto. Pensado bem agora, acho que fiquei meio obcecada com essa história de trilha... kkkk. Mas se estava dando certo que mal havia em continuar com essa “obsessão”.
Eduardo colocou o filme (fomos assistindo pausando a cada contração) e avisou a Letícia sobre a situação. Ela disse que viria me ver depois do almoço.
Letícia chegou por volta das 13:30, ficou conversando conosco e tentou fazer com que eu comesse algo, mas tudo que eu colocava na boca eu vomitava. Por volta de 15:30 ela falou que a presença dela naquele momento não estava ajudando muito, se eu achava melhor ela voltar mais tarde. Eu disse que sim. Nesse momento as contrações estavam com 5 a 8 minutos de intervalo entre elas.
Enquanto Letícia ficou em casa eu fiquei ouvindo a playlist que eu havia preparado (e indo pro chuveiro vez ou outra), mas pra falar a verdade, a playlist rodou duas vezes e eu me lembro de só ter ouvido realmente duas músicas: Ave Maria, que fortaleceu a minha fé e Breathe (2 AM), que me fez lembrar de respirar direito.
Depois que Letícia saiu eu fiquei cochilando entre uma contração e outra até às 18:30, hora que Letícia voltou, dessa vez com o André. Ele mediu os batimentos cardíacos da Isabela e estava tudo bem. Depois ele e Eduardo foram conversar na cozinha e eu fiquei com a Letícia na sala. Às 20:00 André foi embora de novo. Depois Eduardo me contou que o André o chamou na cozinha pra dizer que ele achava que eu só pariria no dia seguinte e que era pra ele tentar me fazer descansar. Sem que o Eduardo dissesse nada eu voltei a cochilar entre as contrações.
Passou-se muito pouco tempo e eu senti algo molhado entre minhas pernas (a partir desse momento eu já não tinha mais noção de horas ou do intervalo entre uma contração e outra). Corri pro banheiro achando que era a bolsa mas era o tampão novamente. Dessa vez um senhor tampão! Voltei pra sala e depois pro banheiro de novo, dessa vez pro chuveiro. Acho que antes das 21:00 Letícia liga pro André e pede pra ele voltar porque eu já estava eliminando fezes. Engraçado que eu temia esse momento, mas quando chega nesse ponto você não sente vergonha de mais nada, sente até uma certa euforia por se ver dominada pelos instintos que trarão seu bebê à luz. Eu que falo baixinho, nessa hora gritava sem pudor.
André chegou e fez mais um exame de toque, foram só dois durante toda a gestação, e em seguida disse para irmos ao hospital, eu já estava com 9cm de dilatação. Chegamos ao hospital, não sem antes dar bons e sonoros gritos no hall do meu prédio, esperando o elevador; no estacionamento do prédio; dentro do carro; na cara de um senhor na porta do hospital e no corredor do hospital. E me lembro de ter achado todas essas situações divertidíssimas! Seria isso a partolândia? Hehehe. Chegamos às 22:14 e fui direto para um quarto, que permaneceu com a luz baixa durante todo o tempo.
Durante todo o trabalho de parto eu adotei a posição ajoelhada ou semi ajoelhada com a barriga inclinada pra frente, cheguei até a ficar com os joelhos doloridos no dia seguinte. No período expulsivo não foi diferente e continuei ajoelhada em cima da maca, que havia sido encostada na parede pelo André, para que eu me apoiasse. Também cheguei a usar o companheiro chuveiro uma última vez antes de parir.
Estava na maca quando comecei a sentir o círculo de fogo e sentia minha filha ganhando aos poucos cada centímetro de sua descida. Quando André viu a cabeça saindo ele perguntou pra Letícia a que horas a bolsa havia rompido e ela disse que não havia rompido. E minha filha nasceu empelicada como eu havia desejado! Eu não cheguei a ver a bolsa, porque havia muito mecônio e André acabou rompendo-a para limpar seu rostinho. Mas Eduardo, que antes da gravidez se impressionava com qualquer imagem de parto, se agachou para acompanhar com os olhos todo o nascimento da nossa pequena.
De repente eu parei de sentir dor, olhei para baixo e vi um pezinho, quase não acreditei que ela já estava do lado de fora. Depois André a virou e a colocou mais pra frente para que eu pudesse pegá-la. Isabela nasceu às 23:37, veio pro meu colo e mamou logo de cara.
Depois de um tempo, que eu não faço ideia de quanto tenha sido, Isabela foi levada ao berçário e Eduardo a acompanhou. Nesse momento André avaliou a placenta e viu que estava solta, ainda dentro do útero, deu um puxãozinho e ela saiu. Letícia fez um lindo print para guardarmos de recordação. Depois André fez uma sutura (com um ponto apenas) na laceração natural de períneo que eu tive e Isabela voltou pra ficar juntinho da gente. André e Letícia me ajudaram a tomar um banho, depois eu lanchei e queria ficar conversando, sem me dar conta de que já passavam das 02:00 da manhã... Continuava numa euforia danada!
Custei a dormir, inundada por tantos hormônios de amor e tanta felicidade. E tenho certeza que tanto respeito ao nosso nascimento (eu e Eduardo nascemos como pais também), tanto amor que eu senti e recebi da minha filha e do Eduardo, só contribuíram com todo esse sentimento lindo.
Realmente o preparo emocional foi muito importante. Se o trabalho de parto foi longo é porque eu sempre me conectei a qualquer alteração em meu organismo e comecei a sentir as contrações desde o comecinho. E eu deixei elas virem... me entreguei a elas como se fossem ondas trazendo o meu bebê. Em nenhum momento quis desistir, pedir analgesia ou cesárea. Em nenhum momento eu duvidei que meu corpo era capaz. Em nenhum momento houve desespero ou medo. Houve dor, e eu me lembro de ter achado que todas as mulheres que diziam que o parto era maravilhoso só podiam ser doidas... mas deve ter algum hormônio que deixa a gente meio doida mesmo, porque depois de um mês eu já estava com saudades do meu parto e sentia vontade de passar por tudo de novo, kkkk.
E assim foi o dia que mudou todo o resto da minha vida! Não tenho nem como nomear todas as pessoas a quem sou grata pela vivência desse momento tão incrível! São tantos amigos e parentes, irmãos de sangue e de alma que, de uma forma ou de outra, me ajudaram a construir os meus referenciais de maternidade. Àqueles, que sendo pais ou não, apoiaram e respeitaram as nossas escolhas e nos amaram incondicionalmente, a minha eterna gratidão. Obrigada Eduardo pelo marido e pai maravilhoso que você é, por gestar, parir e maternar tão lindamente junto comigo! Obrigada filha por me ensinar tanto a cada dia, principalmente com relação à grandeza e infinitude do amor! E principalmente obrigada Deus por essa oportunidade de luz em minha vida...












sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Relato de Parto - Nascimento do Francisco!

Aí bateu aquela vontade danada de escrever sobre esse momento lindo e louco que foi meu parto… Então senta que lá vem textão ou exerça seu sagrado direito de pular esta publicação. Não, não vou resumir, já viu algum bacharel em direito resumir algo? Quer uma resumo? Conversa com o papai engenheiro.
Dia 23 de setembro começou cedo para mim. Às 4 horas da madrugada acordei com contrações, fracas e espaçadas. Como eu estava experimentando contrações de treinamento com frequência desde o início do último trimestre não dei lá muita bola não. Lembro de ter pensado que um banho quente ia espantar aquelas dorzinhas rapidamente, mas não quis levantar para não acordar o marido e, bem, 4 horas da madrugada não é hora de levantar, é hora de dormir né? Lá pelas 7 e pouca da manhã, já com o marido acordado (eu só tinha conseguido tirar uns cochilos) resolvi levantar e tomar o bendito banho – que não ajudou em quase nada. Lembro de ter dito pra João que fosse trabalhar em paz, que era um alarme falso. Realmente não estava preocupada, na quarta da mesma semana eu tinha tido pré natal e Dr. André Gervásio me disse exatamente o que eu estava sentindo: Francisco estava “alto” no útero (eu sentia como se ele estivesse nas minhas costelas) e não havia sinal de parto pra perto. Lembro até de desabafar com Bruna Da Costa Machado Vogas e Valéria Cardoso Delesposteia que achava que ia ficar com aquela barriga para todo sempre rsrs. Enfim, juro que pela manhã, mesmo sentindo contrações desde a madrugada não achei nada demais.
Aí o dia foi transcorrendo normalmente, ao meio dia as tais contrações ainda não haviam me deixado e eu comecei a achar que podia ser algo, mas ainda não dei tanta bola, só pedi ao marido que viesse me buscar pra almoçar, não achei conveniente dirigir assim. Na volta do almoço João Paulo Manhães pediu para trabalhar home office e me fazer companhia. Eu cheguei a dizer pra ele que aquilo não devia ser trabalho de parto, simplesmente porque era fácil demais. Eu mesma ainda cheguei a trabalhar um pouco utilizando o sistema eletrônico do tribunal. Mas aí as dores não iam embora, eu comecei a usar a bola pra aliviar e achei que era uma boa ligar pra linda doula Leticia Pimentel Andrade Andrade. Ela me orientou a ir um pouco mais cedo pra oficina de belly mapping, para que Dr. André desse “uma olhadinha” em mim.
Cheguei lá no consultório mais ou menos uma hora antes da oficina. Aqui em casa já havíamos começado a marcar contrações, mas estávamos super calmos. Chegando lá encontrei André e Letícia que foram super fofos e amorosos como sempre. Acho que pela minha calma ninguém confiava 100% que eu estava em trabalho de parto (a mais convencida era Letícia, mais convencida que eu rsr). Resolvi ficar para a oficina e João foi para uma reunião de trabalho (sim, era esse o nível de calma). Aliás, ficar para a oficina foi uma fase linda do parto. Sentir o aconchego do grupo de gestantes, ter a barriga desenhada entre uma contração e outra pela doula tão querida, ouvir Dr. André fazendo palhaçada, tirando fotos e medindo o batimento cardíaco dos bebês. Ah! E teve também fotos maravilhosas da Sandra Rodrigues. Enfim, mesmo tendo feito a Letícia parar o desenho mil vezes para eu me acomodar durante as contrações, não consigo imaginar maneira melhor de entrar em trabalho de parto do que estar com Humanize Macaé: foi de uma paz perfeita.
Ao final da oficina, João foi me buscar e fomos para casa. Isso era umas 19hs. Lembro de ter chegado a casa em meio a uma contração (nessa fase já estava sim ficando mais difícil). Quando a bendita passou lembrei que não comia nada desde o almoço e fui para cozinha pegar um suco de açaí, nem bem tomei dois goles e lá veio uma contração mais forte, ajoelhei no edredom que João já tinha estendido para mim e senti minha calça ficar toda molhada. Lá tinha ido o tampão e pelo menos uma parte do líquido da bolsa. Aí sim, a coisa ficou séria: fui direto para o chuveiro e, debaixo da água quentinha, procurei aceitar a dor. Ficamos lá, eu e João, por algum tempo, até que pedi que João chamasse Letícia e André porque já sentia que o processo estava se adiantando, os intervalos já estavam se reduzindo e tava ficando difícil de descansar entre uma contração e outra.
Aí as coisas começam a embolar. Lembro que quis sair do chuveiro e ir pra cama (queria muito poder recostar em algo macio no intervalo das contrações). Lembro da Letícia chegar e me tranquilizar, trazer compressas, fazer massagens, me lembrar de comer (o que não consegui) enfim assumir a posição de anjo-doula-da-guarda. Pouco depois chegou Dr. André e em algum momento ele me pediu delicadamente para fazer o toque (o único do parto inteiro). Quando ele disse que eu já estava com 6cm de dilatação nem acreditei (eu realmente não acreditei, achei que ele estava querendo me animar). Serenamente, meu querido obstetra ainda disse que podíamos ficar em casa mais um pouco e eu adorei, se é pra sentir dor melhor que seja no conforto da nossa casa. Não tenho ideia de quanto foi esse “mais um pouco”, mas sei que em algum momento das contrações Dr. André se aproximou de mim e me disse para aceitar a dor, que meu filho estava vindo, me dando mais alguns momentos de calma em meio a tudo aquilo. E assim foi e logo logo estávamos caçando uma roupa para eu ir pro hospital.
No caminho do hospital já estava sentindo de leve a tal vontade de fazer força. E mesmo de leve posso dizer uma coisa, é impossível contrariar essa tal vontade, a coisa toda é de uma dimensão gigantesca. Lembro que Letícia perguntou o horário a João (ou foi o contrário?) e ele respondeu 21:20. Essa é a única lembrança de horário que tenho desde que cheguei a casa.
No hospital veio a parte mais difícil: o tal do expulsivo. Não consegui nem chegar ao chuveiro, quis de novo um lugar minimamente macio para me recostar. Subi na cama e fiquei, sei lá, meio de quatro, meio agachada, enfim, uma posição louca qualquer, na qual achei um mínimo de conforto. Mais pra frente Letícia sugeriu que eu ficasse de cócoras o que foi ótimo. Essa foi a parte do parto em que mais senti dor e, mesmo aí, em momento nenhum tive desejo de desistir, pedir anestesia ou cesárea. Eu estava ali porque queria e não duvidei que logo meu filho estaria comigo. Quando as dores, pareciam uma ardência, já estavam me cansando (nossa, como eu queria um descanso daquelas contrações, para onde tinham ido os intervalos?) eu finalmente senti a cabeça do meu bebê, aliás logo comecei a sentir ele fluindo e refluindo dentro de mim. Acho que isso não durou muito, talvez mais umas três forças, e ele nasceu (segundo me disseram, às 22:30). Lembro de ter ficado confusa por um momento, com a interrupção abrupta daquela dor e a invasão de um sentimento lindo e maravilhoso só de olhar para aquela coisinha toda melecada que era meu filho. Quando o tomei em meus braços me senti invadida por um amor infinito por meu menino e por uma confiança interminável simplesmente por tê-lo posto no mundo assim: da forma mais natural possível.
E aí foi isso: nasceu Francisco! Depois ainda tive que tomar uns pontinhos (achei os pontos mais doloridos que a maior parte do parto, juro) mas nada demais. Fiquei meio fraquinha também, não tinha comido quase nada o dia todo, durante o parto só consegui beber água mesmo. Mas nada que chegasse a embaçar a felicidade de ter dado a luz ao meu filho do jeito que eu quis. Até hoje quando estou com eles nos braços e penso no momento de seu nascimento me dá uma sensação de plenitude indescritível. Nada disso teria sido possível sem a equipe do Humanize Macaé, especialmente sem a querida doula Letícia e o querido obstetra André, que não satisfeitos por tudo que já tinha feito por mim ainda me fizeram companhia até de madrugada enquanto o marido ia comprar algo para a recém mamãe morta de fome.
Arrependimentos? Só um: não ter tirado uma foto com essa equipe linda que me acompanhou nesse momento tão inesquecível.
Ahhhh, e antes de terminar não podia deixar de falar dele né: o marido.João Paulo Manhães meu amor obrigada por me apoiar tanto, por não duvidar em momento nenhum, a sua confiança foi minha tranquilidade e minha paz durante todo o processo.
(por Juliana Mulatinho)







domingo, 28 de agosto de 2016

Tadinha dela....

Paciente após uma gestação fisiológica vive o tão sonhado período expulsivo, vocalizando, vencendo amarras do passado, se apropriando da sua nova condição de mãe ouve ao longe um "tadinha dela....."
E eu me pergunto tadinha de quem?
Aquela mulher prestes a dar a luz se preparou durante a gestação através de várias leituras, participou de rodas de conversa, construiu o seu próprio conceito de nascimento e fez suas escolhas através de um lindo plano de parto. Empoderada assumiu o seu papel de mulher e sobre a cama, na posição de quatro apoios, recebendo pulsos de ocitocina e endorfina, urrava com toda energia necessária para trazer o seu filho ao nosso mundo e o fez.
Por outro lado, aquela mulher que esperava a chegada do bebê, cegada pela ignorância a respeito da fisiologia do parto, só conseguia perceber uma gestante gritando de dor.
E deixo aqui uma provocação:
Diante de uma obra de arte é possível perceber a grandeza do artista quando se conhece a arte. Para você que não conhece a arte de partejar vá estudar para refinar o seu olhar.


(por André Gervásio - Obstetra/Parteiro - Equipe Humanize)




sábado, 27 de agosto de 2016

Relato de Parto - por Andressa Camacho

E hoje, 27 de outubro de 2016, exatos 2 meses do dia mais importante de nossas vidas, o dia mais cheio de amor, o dia mais cheio de vida. E como lembrar desse dia e não se emocionar?
Você veio ao mundo do jeito mais lindo possível, mais natural possível, foram horas de dores sim, mas em meio as dores, sorrisos, porque eu tinha a plena certeza que sua chegada estava próxima. Teve frio, teve calor, teve contração fraquinha, teve contração punk, teve dor de barriga, teve vontade de desistir, teve vontade de acabar logo, teve vontade de não acabar também, teve sono profundo em meio aos intervalos das contrações, teve cabelo super hiper ultra mega bagunçado, teve delírio, teve o famoso círculo de fogo, e teve MUITA coisa que aconteceu que eu não me lembro, mas lembro talvez do mais importante, a felina que tinha escondida dentro de mim que se revelou naquele instante, e te trouxe ao mundo no puro instinto. E quando você chegou? Que momento único, que momento lindo, que momento mágico, te peguei em meus braços, ainda tomada pela emoção de não acreditar no que tinha acabado de acontecer, o melhor cheirinho do mundo, o melhor abraço do mundo. No dia 27 de agosto de 2016 não nasceu só você meu filho, nasceu também uma mãe, nasceu um pai, nasceu uma família! Você me ensinou e continua me ensinando o sentido da palavra AMOR. Desde o dia em que você nasceu não faço questão de lembrar como era minha vida sem você.
Agradeço até hoje a Deus principalmente por me sustentar nesse momento, agradeço a Ele pela sua vida meu filho, e a Nossa Senhora por ter nos coberto com seu manto em todas aquelas longas horas (deu tempo até de rezar o terço entre uma contração e outra antes de ir pro hospital haha).
Agradeço a Equipe Humanize pelas rodas de conversa, ganhei muitas informações úteis para passar por esse momento, agradeço demais ao Dr André Gervásio pela disponibilidade, paciência, e total atenção (principalmente com o marido que achei que ia cair duro kk tadinho), a Francine Lima por se disponibilizar em registrar esse momento mágico na minha vida, (mesmo quase não dando tempo kkk) obrigada de coração Fran, o seu trabalho é lindo.
Agradeço também a Dra Leandra, por ter cuidado do meu pacotinho.
Obrigada Cunha/doula e marido por estarem no meu lado nesse momento, se não tivesse vocês não sei se eu conseguiria.
E obrigada a todos que não acreditaram em mim, sério, foi super importante os pensamentos e comentários negativos de vocês, me deu um gás enorme querer mostrar pra vocês (e pra mim principalmente) que é possível sim parir. Parir sem sorinho, sem corte (Episiotomia), sem laceração, sem anestesia, na posição que eu achar melhor. Eu fui feita pra isso, meu corpo foi feito pra isso.
É POSSÍVEL PARIR COM RESPEITO E SEM INTERVENÇÕES! E EU PARI!
Parto Humanizado é isso, eu fui a protagonista do meu parto, eu pari, e o melhor, me senti a pessoa mais importante do mundo naquele momento tão difícil!
#OBebêTaCrescendo #2MesesDoMaisPuroAmor

(por Andressa Camacho)





terça-feira, 23 de agosto de 2016

“PARTO ATIVO” uma visão refinada do nascer

Há cerca de 5 anos fui levado pelas mulheres que atendia no consultório a fazer alguns questionamentos tais como; por que fazer igual ao sistema, por que parir deitada, por que cesarianas marcadas fora do trabalho de parto, por que nascer de formar artificial se somos seres mamíferos da natureza?
Iniciei uma caminhada de pesquisa científica e de campo e me deparei com um mundo paralelo, o mundo do renascimento do parto. Começava a perceber uma nova forma de acompanhar o nascimento; e o caminho foi se abrindo, clientes amigas fortaleciam minhas novas percepções. Como uma espécie de diapasão profissional, fui sendo brindado com a chegada de profissionais de diferentes áreas do saber e agrupamo-nos sob a égide do respeito ao nascimento.  
E se deu o primeiro nascimento, nasceu o HUMANIZE. Percebíamos a quebra de paradigmas e que novos conceitos eram necessários e fomos a busca deles. Seis, foram os que compraram juntos os bilhetes para ingressar nesse mundo do renascimento do parto, sim fizemos o Curso de Doulas.
Eu como médico obstetra senti na pele muita agressividade de algumas das participantes do curso, que por razões que fogem ao meu objetivo deste texto, colocam o médico obstetra como algoz de toda maleficência que esta presente no sistema obstétrico atual. O curso foi fantástico, pois nos mostrou uma nova forma de assistir o nascimento com informações e conhecimentos baseados em evidências científicas, nos encheu de idéias para projetos inovadores sob uma visão refinada do nascimento.
O curso de doulas foi um marco de mudança da minha forma de perceber, assistir e intervir no processo do nascimento. Tenho assistido vários nascimentos e cada nascer reforça a minha mais profunda admiração pela mulher, respeito pela fisiologia do parto e devoção por DEUS.
Nós equipe HUMANIZE acreditamos no parto respeitoso, ativo; onde a mulher segue seus próprios instintos e a lógica fisiológica do corpo. Ela não é objeto de uma condução de parto e sim a principal protagonista do processo de parir, ela é a mamífera. A liberdade de movimentação durante o trabalho de parto e no momento do parto, segunda as evidências científicas, trazem inúmeros benefícios como mais oxigênio para o útero/placenta e bebê, ângulo de descida mais fácil no canal de parto, mais espaço na pelve e maior plasticidade do canal de parto e conseqüentemente um trabalho de parto e parto mais curtos, mais fáceis e menos doloridos; um nascimento seguro.
 Sim, acreditamos também, que a cirurgia cesariana é uma intervenção que salva vidas, quando há indicação médica por conta de uma dificuldade ou emergências obstétricas e nesse caso é recebida com grande gratidão. Este procedimento cirúrgico pode ser “humanizado” quando a comunicação, a atenção, o respeito e os sentimentos maternos são levados como prioridade, assim como o contato mãe/filho na primeira hora de vida.
Defendemos indubitavelmente a conciliação do respeito à fisiologia do parto e o uso de novas tecnologias. Sim; a nossa bandeira é o parto ativo onde a mulher é a protagonista do processo; e somado ao uso individualizados de todas tecnologias possíveis chegamos ao nosso ideal que é: o parto seguro, respeitoso onde o bebe e a nova mamãe podem iniciar a nova fase em sua plenitude física, psíquica e moral.

Por André Gervásio - Obstetra/Parteiro - Equipe Humanize


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Relato de Parto - Nasce um Pai!

Inspirado pelo relato do parto da minha esposa Priscila Guido (que foi excelente, diga-se de passagem), resolvi relatar um pouquinho do que foi para mim tudo isso que aconteceu na minha vida nos últimos anos. Nunca fui muito bom em escrever publicamente sobre mim, mas vou fazer o meu melhor. Lá vai:
"Ser pai" sempre foi algo que pensei e discuti pouco ou quase nada ao longo dos meus 28 anos (tô ficando velho, xessus). Tive certeza por várias vezes que nunca seria pai, que não queria ter filho. Fugia da responsabilidade, do trabalho, da preocupação e de parar e pensar em tudo isso. Me conheço o suficiente pra saber que quando preciso ou escolho cuidar de algo, eu me jogo de cabeça, esqueço tudo, coloco todas minhas vontades em segundo plano. Por causa disso já tive experiências extremamente ruins na minha vida, mas não era só por causa disso. Eu simplesmente não conseguia me ver pai.
Casado com a Priscila, apareceu um mundo novo pra mim. Descobri um amor sem limites, uma vida nova, muito carinho e cumplicidade. Uma companheira para dividir minhas chatisses, minhas ideias malucas, minhas conclusões mirabolantes de tudo que existe, que não existe e que pode ser que exista. Sempre vivemos com a maior transparência possível, nos entregamos da mesma forma e somos muito parecidos nessa coisa do "se jogar de cabeça". Era (e é) perfeito.
Desde sempre ela queria ser mãe. Desde sempre mesmo. Um dos primeiros papos que tivemos mais sérios foi sobre família, mais ou menos aquela perguntinha basicona "Quer ter filhos?", ela disse sempre muito firme, decidida e sem nenhum medo: sim, eu quero ser mãe.
E, ao longo do relacionamento, com a intimidade e a intensidade aumentando, fomos começando a tomar algumas decisões para que isso acontecesse. Por várias vezes eu me perguntava se eu estava pronto, porque não queria errar de jeito nenhum. Me preocupava com as contas, com a economia do Brasil, com a estabilidade do meu emprego, se já estava na hora.. Acho que isso é coisa de (futuro) pai.
Mudar a rotina, acordar de madrugada, não poder mais sair pra onde quiser sem muito planejamento.. Pensar em perder isso dava medo. Ter uma relação tão boa com a minha esposa faz a mudança dar MUITO medo, seja ela qual for. Aquela velha frase besta "Em time que está ganhando não se mexe". Bom, vou começar a discordar totalmente nesse momento.
Cada vez a Priscila me fazia acreditar mais que eu seria um bom pai. Fazia minhas qualidades aparecerem pra pessoa mais crítica com relação a isso: eu mesmo. Não virei pai no dia que a Aimée nasceu.. Eu já estava em processo desde o dia que conheci minha esposa. Fui melhorando como ser humano, como marido. Descobri qualidades e defeitos que nem sabia. Me recriei. Fomos administrando cada vez melhor o início de casamento que é complicadíssimo e chegamos a um ponto da relação que nunca imaginei de tão equilibrado e saudável. Como duas pessoas podem se completar tão bem?
Então, após superar todos os medos e preocupações, comecei a curtir a ideia. Começamos a pesquisar sobre partos, como seria, onde seria. Eu, que achava que só paria fora de hospital quem não chegava a tempo, descobri um mundo novo: o parto humanizado. Minha esposa me apresentou essa "loucura" e cada coisinha que eu lia ou via a respeito, eu ficava mais admirado. Ver uma cesárea era praticamente um filme de terror pra mim. Só conseguia pensar "coitada dessa criança!".
Minha esposa sempre forte e decidida, queria o parto normal. Sempre quis. E eu respeitei, apesar de achar meio loucura. Depois de pesquisar e entrar nesse mundo, loucura era não fazer parto normal. Então tudo perfeito, é só parir!
Só que não, né. Parto normal aqui na nossa região é quase impossível. Pelo menos um respeitoso. Na verdade, até "desrespeitoso" é quase impossível. Reviramos os médicos do plano de saúde de cabo a rabo, nada. Decidimos que iríamos ter em casa se fosse necessário, mas cesárea não iria rolar mesmo. Pois bem, começamos a tentar.
Priscila foi em um médico para começar a fazer os exames necessários e bater um papo sobre isso. Fomos informados pelo médico que iria demorar um pouco. Demorou mesmo, ô. No mês seguinte estávamos grávidos! Que coisa mais assustadoramente maravilhosa! Priscila me contou no dia que soube, com direito a cartinha e muitas lágrimas. As dúvidas e preocupações ainda estavam lá, mas a felicidade foi muito maior que isso.
Daí começamos a busca de verdade por um médico de confiança. Fomos em vários GOs e não gostamos de nenhum. Na verdade, odiamos o tratamento de todos eles. É assustador esse "mercado de cesárea" e a violência que as grávidas sofrem. Acho que só quem realmente vive isso entende o tamanho da crueldade.
Então, além de nos tornarmos pais, precisamos nos tornar rebeldes. Porque, sério, 99% das pessoas te acham maluco. Parir numa piscina? Com parteira? Sem anestesia? Você vai deixar sua esposa e seu filho correrem risco?
Confesso que não sei o que faria se eu que fosse parir. Mas a coragem e determinação da Priscila me encorajaram a tudo com ela. Defender suas vontades e garantir um parto respeitoso era minha primeira missão como novo pai.
Então, meio sem querer e sem esperanças, fomos em um encontro do Humanize que minha esposa achou no Facebook. E achamos um grupo de pessoas com situações parecida, dúvidas e objetivos que nos identificamos demais. Encontramos ali a equipe que realmente confiamos e era o que precisávamos. As próximas 28 semanas (sim, porque eu sei contar semanas agora) foram de total entrega. Vivemos intensamente tudo isso. Choramos diversas vezes de emoção em pensar que nosso amor teria um fruto. E o dia chegou.
Ver sua esposa parir é assustador, de verdade. É uma sensação de impotência absurda. Parece que a hora não passa, você realmente não tem o que fazer além de dar força e atender cada coisinha que possa aparecer pra você fazer por ela.
Eu sempre admirei a Priscila, mas essa experiência foi algo sobrenatural. Quanta força, concentração, foco.. É praticamente uma palestra motivacional ao vivo.
E assim foi. Das 11 da manhã até as 15:30. Basicamente foi dor, chuveiro, dor, cama, massagem da Dani, dor, ar condicionado, dor, mais massagem da Dani, coberta, dor, dor e dor. Pelo menos é o que lembro desse turbilhão de emoção. Mas a dor, claro, é de uma nova vida vindo ao mundo. Uma dor que eu olhava no rosto da minha esposa e sabia que ela tava pronta e estava no controle. Eu que estava em pânico, pra falar a verdade. Sério, como vocês conseguem? Mas suportei e dei o meu melhor. Superei minha vontade de arrancar aquela dor dela e observei todo aquele ritual incrível. Era minha filha vindo ao mundo de verdade.
Saímos correndo de casa, pois esperamos até o último minuto pra ir pro hospital. Minha filha queria nascer na cozinha de casa, no terreno ao lado da nossa casa, no carro do Dr. André a caminho do hospital, mas minha esposa novamente superou as dores e inclusive a natureza e segurou. Chegamos no hospital e 12 minutos depois a Aimée chegou. Rápido assim. Ninguém tocou nela antes da Priscila. Ela saiu, apareceu para o mundo num silêncio angelical e minha esposa a puxou para os braços. Lembro que além de dor tinha muito, muito sangue. Então ela chorou nos braços da minha esposa e nós dois nos olhamos sabendo que tínhamos subido mais um patamar nas nossas vidas. Os olhos encheram de lágrima, porque até então era tanta pressa e tanta adrenalina que nem dava pra pensar muito bem em tudo que estava acontecendo.
Isso tudo aconteceu em um dia e eu demorei quase 2 meses pra conseguir tentar começar a me explicar. Meus sinceros agradecimentos a Dani e ao Dr. André que fizeram tudo isso com tanta destreza, delicadeza e amor. E principalmente a minha esposa Priscila que, apesar de se achar "cagona", me deu um exemplo de coragem e força de vontade que mudou minha forma de enxergar qualquer desafio que possa aparecer.
Eu sou pai!

(por Roger Cardoso)