O parto
foi para mim uma das experiências mais difíceis que já passei na vida. Daí o nome do título
luta e luto... E não consigo relatar meu parto sem falar do parir. Para mim
estão caminhando juntos desde o final da gestação. É estranho porque no final
existia a ansiedade da espera, certo sentimento de que já tinha que ter acontecido
devido a espera, mas ao mesmo tempo hoje percebo que já havia um luto pelo
final da gestação...
Quanto ao parto o que se abriu foi um luto pelo ideal imaginado e pelo desfecho possível.
Eu não consegui ter o parto natural nem normal que havia planejado. Senti-me muito triste nos primeiros dias e ainda sinto, das coisas terem tomado o rumo que tomaram. Queria ter sido dessas mulheres que em minha fantasia - e a gente ouve por aí - parecem parir com tanta facilidade...
A pergunta que me vinha era como ter tomado outra decisão (um pedido por cesariana) naquele momento? Diante da exaustão física e emocional que se abateu sobre mim? Não sei quando as coisas começaram a sair do controle. Na última semana que antecedeu o parto comecei a apresentar um inchaço nas pernas e pés. Lembro que no parto o inchaço me causava grande incômodo, um grande mal-estar. Pernas, pés, corpo muito inchado. Não sei se foi isso que me causou tanta sensação de dor em determinado momento do trabalho de parto. Talvez nunca saiba...
Sei que a partir de certa hora, mesmo toda dilatada, comecei a perder o controle da situação. Pedi para ir ao hospital. Lembro do André dizer que aquilo não seria muito bom (algo assim). Não sei se ele já estava prevendo o abatimento que se debruçava sobre mim e que eu poderia sucumbir.
Ficava pensando que havia me preparado para um parto natural e que queria tanto ter podido dizer “eu consegui”. Numa das consultas lembro do André trazer uma metáfora: “parto é como uma obra, você planeja, mas quando começa coisas novas irão surgir e teremos que lidar (algo assim). E foi assim, tivemos que lidar com o possível e não com o idealizado.
O parto como um momento derradeiro não tem como voltar atrás. Bem que eu quis um intervalo, eu pedi que aquilo cessasse que eu tivesse paz para, de repente, poder recobrar as forças e decidir, mas era dali para frente. Não tinha como voltar atrás. E diante do inevitável que é parir, não pude naquele momento tomar outra decisão.
Lutei para lidar com o mal-estar físico durante o trabalho de parto, as dores, os incômodos, o tempo do corpo enquanto eu pude. Hoje luto para recuperar-me, restaurar-me e reconstruir-me após a experiência de parir que para mim vem representando um fechamento de um ciclo e abertura de outro com tantas e variados sentimentos.
Entre a dor e a alegria do parto e do parir também tive conquistas. Segundo André, “tive todas as vantagens do parto normal, independentemente do desfecho”. Rafaela nasceu com 41 semanas. Pude vivenciar uma boa parte do que é entrar em trabalho de parto – não consegui suportar o período expulsivo. Ela mamou na primeira hora de uma forma surpreendente. Nasceu tão madurinha que sugou direitinho desde a primeira vez. Abriu seus olhinhos assim que saiu de dentro de mim e deu sorrisinhos largos nas primeiras horas! O papai cortou o cordão, foi sua primeira manicure! Tem ajudado de forma linda nos cuidados com Rafaela! Sem contar que minha placenta virou um lindo quadro!
A recuperação da cesariana foi chatinha nos primeiros cinco dias, o inchaço demorou um pouco para ir embora. Leticia continua me ajudando muito, sessões de drenagem, doulagem, loooongaaasss conversas e risadas também!! GRATIDÃO!
Estamos indo bem! Nos recuperando e absorvendo aos poucos tantas novidades! Cada dia lidando melhor com o luto do inevitável do seguir da vida, com o inevitável que é parir, com a despedida da gestação. Com a abertura de questões que o lugar de “mãe” pode suscitar em nós! Mas cada dia melhor!
Agora preciso falar: Que lugar difícil do médico e da doula! Afinal quando saber a hora de ir ou de parar, de oferecer ou sucumbir a um pedido de um paciente por algum procedimento? Admiração por quem sustenta estes lugares tão difíceis!!!
Amei conhecer a proposta de humanização e o Humanize! Ainda preciso aprender muito, pois apostar nesses resgastes é andar contra a correnteza do “tempo é dinheiro”. É trabalhar com outra temporalidade, com outra perspectiva, com outro modo de lidar com a produção e com o corpo. Agora estou lidando com esses valores na amamentação! Estamos caminhando!
Meu marido e eu temos plena confiança nesta equipe! Temos plena confiança que fui cuidada tempo integral! Queremos deixar nossa GRATIDÃO a todos da Equipe, pelas oficinas que participamos, foram e tem sido, essenciais! Nunca me senti tão bem cuidada como na gestação. Na maravilhosa pintura de barriga, um mimo que amei! No chá com as Doulas! Nos registros! A todas as mamães e gestantes que conheci, que pude trocar!
Quero muito deixar minha gratidão em ESPECIAL ao André e Leticia pelo apoio incondicional! Por passarem a noite e boa parte de um dia em casa, por terem de lidar também com os desfechos diferentes dos idealizados e compartilhados no plano de parto e nas oficinas.
Já aguardando ansiosamente o encontro do grupo Nascer 2 que em breve tornará um grupo de Puerpério. O caminhar e o aprendizado continuam e quero continuar apostando nas trocas, no afeto e no apoio mútuo que encontrei no Humanize!
Estamos cada dia melhor e nos fortalecendo! Vida que segue com muita ocitocina!
Quanto ao parto o que se abriu foi um luto pelo ideal imaginado e pelo desfecho possível.
Eu não consegui ter o parto natural nem normal que havia planejado. Senti-me muito triste nos primeiros dias e ainda sinto, das coisas terem tomado o rumo que tomaram. Queria ter sido dessas mulheres que em minha fantasia - e a gente ouve por aí - parecem parir com tanta facilidade...
A pergunta que me vinha era como ter tomado outra decisão (um pedido por cesariana) naquele momento? Diante da exaustão física e emocional que se abateu sobre mim? Não sei quando as coisas começaram a sair do controle. Na última semana que antecedeu o parto comecei a apresentar um inchaço nas pernas e pés. Lembro que no parto o inchaço me causava grande incômodo, um grande mal-estar. Pernas, pés, corpo muito inchado. Não sei se foi isso que me causou tanta sensação de dor em determinado momento do trabalho de parto. Talvez nunca saiba...
Sei que a partir de certa hora, mesmo toda dilatada, comecei a perder o controle da situação. Pedi para ir ao hospital. Lembro do André dizer que aquilo não seria muito bom (algo assim). Não sei se ele já estava prevendo o abatimento que se debruçava sobre mim e que eu poderia sucumbir.
Ficava pensando que havia me preparado para um parto natural e que queria tanto ter podido dizer “eu consegui”. Numa das consultas lembro do André trazer uma metáfora: “parto é como uma obra, você planeja, mas quando começa coisas novas irão surgir e teremos que lidar (algo assim). E foi assim, tivemos que lidar com o possível e não com o idealizado.
O parto como um momento derradeiro não tem como voltar atrás. Bem que eu quis um intervalo, eu pedi que aquilo cessasse que eu tivesse paz para, de repente, poder recobrar as forças e decidir, mas era dali para frente. Não tinha como voltar atrás. E diante do inevitável que é parir, não pude naquele momento tomar outra decisão.
Lutei para lidar com o mal-estar físico durante o trabalho de parto, as dores, os incômodos, o tempo do corpo enquanto eu pude. Hoje luto para recuperar-me, restaurar-me e reconstruir-me após a experiência de parir que para mim vem representando um fechamento de um ciclo e abertura de outro com tantas e variados sentimentos.
Entre a dor e a alegria do parto e do parir também tive conquistas. Segundo André, “tive todas as vantagens do parto normal, independentemente do desfecho”. Rafaela nasceu com 41 semanas. Pude vivenciar uma boa parte do que é entrar em trabalho de parto – não consegui suportar o período expulsivo. Ela mamou na primeira hora de uma forma surpreendente. Nasceu tão madurinha que sugou direitinho desde a primeira vez. Abriu seus olhinhos assim que saiu de dentro de mim e deu sorrisinhos largos nas primeiras horas! O papai cortou o cordão, foi sua primeira manicure! Tem ajudado de forma linda nos cuidados com Rafaela! Sem contar que minha placenta virou um lindo quadro!
A recuperação da cesariana foi chatinha nos primeiros cinco dias, o inchaço demorou um pouco para ir embora. Leticia continua me ajudando muito, sessões de drenagem, doulagem, loooongaaasss conversas e risadas também!! GRATIDÃO!
Estamos indo bem! Nos recuperando e absorvendo aos poucos tantas novidades! Cada dia lidando melhor com o luto do inevitável do seguir da vida, com o inevitável que é parir, com a despedida da gestação. Com a abertura de questões que o lugar de “mãe” pode suscitar em nós! Mas cada dia melhor!
Agora preciso falar: Que lugar difícil do médico e da doula! Afinal quando saber a hora de ir ou de parar, de oferecer ou sucumbir a um pedido de um paciente por algum procedimento? Admiração por quem sustenta estes lugares tão difíceis!!!
Amei conhecer a proposta de humanização e o Humanize! Ainda preciso aprender muito, pois apostar nesses resgastes é andar contra a correnteza do “tempo é dinheiro”. É trabalhar com outra temporalidade, com outra perspectiva, com outro modo de lidar com a produção e com o corpo. Agora estou lidando com esses valores na amamentação! Estamos caminhando!
Meu marido e eu temos plena confiança nesta equipe! Temos plena confiança que fui cuidada tempo integral! Queremos deixar nossa GRATIDÃO a todos da Equipe, pelas oficinas que participamos, foram e tem sido, essenciais! Nunca me senti tão bem cuidada como na gestação. Na maravilhosa pintura de barriga, um mimo que amei! No chá com as Doulas! Nos registros! A todas as mamães e gestantes que conheci, que pude trocar!
Quero muito deixar minha gratidão em ESPECIAL ao André e Leticia pelo apoio incondicional! Por passarem a noite e boa parte de um dia em casa, por terem de lidar também com os desfechos diferentes dos idealizados e compartilhados no plano de parto e nas oficinas.
Já aguardando ansiosamente o encontro do grupo Nascer 2 que em breve tornará um grupo de Puerpério. O caminhar e o aprendizado continuam e quero continuar apostando nas trocas, no afeto e no apoio mútuo que encontrei no Humanize!
Estamos cada dia melhor e nos fortalecendo! Vida que segue com muita ocitocina!
(Por Emeline Costa)
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