Há cerca de 5 anos fui levado pelas mulheres que atendia no consultório a fazer alguns questionamentos tais como; por que fazer igual ao sistema, por que parir deitada, por que cesarianas marcadas fora do trabalho de parto, por que nascer de formar artificial se somos seres mamíferos da natureza?
Iniciei uma caminhada de pesquisa científica e de campo e me deparei com um mundo paralelo, o mundo do renascimento do parto. Começava a perceber uma nova forma de acompanhar o nascimento; e o caminho foi se abrindo, clientes amigas fortaleciam minhas novas percepções. Como uma espécie de diapasão profissional, fui sendo brindado com a chegada de profissionais de diferentes áreas do saber e agrupamo-nos sob a égide do respeito ao nascimento.
E se deu o primeiro nascimento, nasceu o HUMANIZE. Percebíamos a quebra de paradigmas e que novos conceitos eram necessários e fomos a busca deles. Seis, foram os que compraram juntos os bilhetes para ingressar nesse mundo do renascimento do parto, sim fizemos o Curso de Doulas.
Eu como médico obstetra senti na pele muita agressividade de algumas das participantes do curso, que por razões que fogem ao meu objetivo deste texto, colocam o médico obstetra como algoz de toda maleficência que esta presente no sistema obstétrico atual. O curso foi fantástico, pois nos mostrou uma nova forma de assistir o nascimento com informações e conhecimentos baseados em evidências científicas, nos encheu de idéias para projetos inovadores sob uma visão refinada do nascimento.
O curso de doulas foi um marco de mudança da minha forma de perceber, assistir e intervir no processo do nascimento. Tenho assistido vários nascimentos e cada nascer reforça a minha mais profunda admiração pela mulher, respeito pela fisiologia do parto e devoção por DEUS.
Nós equipe HUMANIZE acreditamos no parto respeitoso, ativo; onde a mulher segue seus próprios instintos e a lógica fisiológica do corpo. Ela não é objeto de uma condução de parto e sim a principal protagonista do processo de parir, ela é a mamífera. A liberdade de movimentação durante o trabalho de parto e no momento do parto, segunda as evidências científicas, trazem inúmeros benefícios como mais oxigênio para o útero/placenta e bebê, ângulo de descida mais fácil no canal de parto, mais espaço na pelve e maior plasticidade do canal de parto e conseqüentemente um trabalho de parto e parto mais curtos, mais fáceis e menos doloridos; um nascimento seguro.
Sim, acreditamos também, que a cirurgia cesariana é uma intervenção que salva vidas, quando há indicação médica por conta de uma dificuldade ou emergências obstétricas e nesse caso é recebida com grande gratidão. Este procedimento cirúrgico pode ser “humanizado” quando a comunicação, a atenção, o respeito e os sentimentos maternos são levados como prioridade, assim como o contato mãe/filho na primeira hora de vida.
Defendemos indubitavelmente a conciliação do respeito à fisiologia do parto e o uso de novas tecnologias. Sim; a nossa bandeira é o parto ativo onde a mulher é a protagonista do processo; e somado ao uso individualizados de todas tecnologias possíveis chegamos ao nosso ideal que é: o parto seguro, respeitoso onde o bebe e a nova mamãe podem iniciar a nova fase em sua plenitude física, psíquica e moral.
Por André Gervásio - Obstetra/Parteiro - Equipe Humanize

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