Aí bateu aquela vontade danada de escrever sobre esse momento lindo e louco que foi meu parto… Então senta que lá vem textão ou exerça seu sagrado direito de pular esta publicação. Não, não vou resumir, já viu algum bacharel em direito resumir algo? Quer uma resumo? Conversa com o papai engenheiro.
Dia 23 de setembro começou cedo para mim. Às 4 horas da madrugada acordei com contrações, fracas e espaçadas. Como eu estava experimentando contrações de treinamento com frequência desde o início do último trimestre não dei lá muita bola não. Lembro de ter pensado que um banho quente ia espantar aquelas dorzinhas rapidamente, mas não quis levantar para não acordar o marido e, bem, 4 horas da madrugada não é hora de levantar, é hora de dormir né? Lá pelas 7 e pouca da manhã, já com o marido acordado (eu só tinha conseguido tirar uns cochilos) resolvi levantar e tomar o bendito banho – que não ajudou em quase nada. Lembro de ter dito pra João que fosse trabalhar em paz, que era um alarme falso. Realmente não estava preocupada, na quarta da mesma semana eu tinha tido pré natal e Dr. André Gervásio me disse exatamente o que eu estava sentindo: Francisco estava “alto” no útero (eu sentia como se ele estivesse nas minhas costelas) e não havia sinal de parto pra perto. Lembro até de desabafar com Bruna Da Costa Machado Vogas e Valéria Cardoso Delesposteia que achava que ia ficar com aquela barriga para todo sempre rsrs. Enfim, juro que pela manhã, mesmo sentindo contrações desde a madrugada não achei nada demais.
Aí o dia foi transcorrendo normalmente, ao meio dia as tais contrações ainda não haviam me deixado e eu comecei a achar que podia ser algo, mas ainda não dei tanta bola, só pedi ao marido que viesse me buscar pra almoçar, não achei conveniente dirigir assim. Na volta do almoço João Paulo Manhães pediu para trabalhar home office e me fazer companhia. Eu cheguei a dizer pra ele que aquilo não devia ser trabalho de parto, simplesmente porque era fácil demais. Eu mesma ainda cheguei a trabalhar um pouco utilizando o sistema eletrônico do tribunal. Mas aí as dores não iam embora, eu comecei a usar a bola pra aliviar e achei que era uma boa ligar pra linda doula Leticia Pimentel Andrade Andrade. Ela me orientou a ir um pouco mais cedo pra oficina de belly mapping, para que Dr. André desse “uma olhadinha” em mim.
Cheguei lá no consultório mais ou menos uma hora antes da oficina. Aqui em casa já havíamos começado a marcar contrações, mas estávamos super calmos. Chegando lá encontrei André e Letícia que foram super fofos e amorosos como sempre. Acho que pela minha calma ninguém confiava 100% que eu estava em trabalho de parto (a mais convencida era Letícia, mais convencida que eu rsr). Resolvi ficar para a oficina e João foi para uma reunião de trabalho (sim, era esse o nível de calma). Aliás, ficar para a oficina foi uma fase linda do parto. Sentir o aconchego do grupo de gestantes, ter a barriga desenhada entre uma contração e outra pela doula tão querida, ouvir Dr. André fazendo palhaçada, tirando fotos e medindo o batimento cardíaco dos bebês. Ah! E teve também fotos maravilhosas da Sandra Rodrigues. Enfim, mesmo tendo feito a Letícia parar o desenho mil vezes para eu me acomodar durante as contrações, não consigo imaginar maneira melhor de entrar em trabalho de parto do que estar com Humanize Macaé: foi de uma paz perfeita.
Ao final da oficina, João foi me buscar e fomos para casa. Isso era umas 19hs. Lembro de ter chegado a casa em meio a uma contração (nessa fase já estava sim ficando mais difícil). Quando a bendita passou lembrei que não comia nada desde o almoço e fui para cozinha pegar um suco de açaí, nem bem tomei dois goles e lá veio uma contração mais forte, ajoelhei no edredom que João já tinha estendido para mim e senti minha calça ficar toda molhada. Lá tinha ido o tampão e pelo menos uma parte do líquido da bolsa. Aí sim, a coisa ficou séria: fui direto para o chuveiro e, debaixo da água quentinha, procurei aceitar a dor. Ficamos lá, eu e João, por algum tempo, até que pedi que João chamasse Letícia e André porque já sentia que o processo estava se adiantando, os intervalos já estavam se reduzindo e tava ficando difícil de descansar entre uma contração e outra.
Aí as coisas começam a embolar. Lembro que quis sair do chuveiro e ir pra cama (queria muito poder recostar em algo macio no intervalo das contrações). Lembro da Letícia chegar e me tranquilizar, trazer compressas, fazer massagens, me lembrar de comer (o que não consegui) enfim assumir a posição de anjo-doula-da-guarda. Pouco depois chegou Dr. André e em algum momento ele me pediu delicadamente para fazer o toque (o único do parto inteiro). Quando ele disse que eu já estava com 6cm de dilatação nem acreditei (eu realmente não acreditei, achei que ele estava querendo me animar). Serenamente, meu querido obstetra ainda disse que podíamos ficar em casa mais um pouco e eu adorei, se é pra sentir dor melhor que seja no conforto da nossa casa. Não tenho ideia de quanto foi esse “mais um pouco”, mas sei que em algum momento das contrações Dr. André se aproximou de mim e me disse para aceitar a dor, que meu filho estava vindo, me dando mais alguns momentos de calma em meio a tudo aquilo. E assim foi e logo logo estávamos caçando uma roupa para eu ir pro hospital.
No caminho do hospital já estava sentindo de leve a tal vontade de fazer força. E mesmo de leve posso dizer uma coisa, é impossível contrariar essa tal vontade, a coisa toda é de uma dimensão gigantesca. Lembro que Letícia perguntou o horário a João (ou foi o contrário?) e ele respondeu 21:20. Essa é a única lembrança de horário que tenho desde que cheguei a casa.
No hospital veio a parte mais difícil: o tal do expulsivo. Não consegui nem chegar ao chuveiro, quis de novo um lugar minimamente macio para me recostar. Subi na cama e fiquei, sei lá, meio de quatro, meio agachada, enfim, uma posição louca qualquer, na qual achei um mínimo de conforto. Mais pra frente Letícia sugeriu que eu ficasse de cócoras o que foi ótimo. Essa foi a parte do parto em que mais senti dor e, mesmo aí, em momento nenhum tive desejo de desistir, pedir anestesia ou cesárea. Eu estava ali porque queria e não duvidei que logo meu filho estaria comigo. Quando as dores, pareciam uma ardência, já estavam me cansando (nossa, como eu queria um descanso daquelas contrações, para onde tinham ido os intervalos?) eu finalmente senti a cabeça do meu bebê, aliás logo comecei a sentir ele fluindo e refluindo dentro de mim. Acho que isso não durou muito, talvez mais umas três forças, e ele nasceu (segundo me disseram, às 22:30). Lembro de ter ficado confusa por um momento, com a interrupção abrupta daquela dor e a invasão de um sentimento lindo e maravilhoso só de olhar para aquela coisinha toda melecada que era meu filho. Quando o tomei em meus braços me senti invadida por um amor infinito por meu menino e por uma confiança interminável simplesmente por tê-lo posto no mundo assim: da forma mais natural possível.
E aí foi isso: nasceu Francisco! Depois ainda tive que tomar uns pontinhos (achei os pontos mais doloridos que a maior parte do parto, juro) mas nada demais. Fiquei meio fraquinha também, não tinha comido quase nada o dia todo, durante o parto só consegui beber água mesmo. Mas nada que chegasse a embaçar a felicidade de ter dado a luz ao meu filho do jeito que eu quis. Até hoje quando estou com eles nos braços e penso no momento de seu nascimento me dá uma sensação de plenitude indescritível. Nada disso teria sido possível sem a equipe do Humanize Macaé, especialmente sem a querida doula Letícia e o querido obstetra André, que não satisfeitos por tudo que já tinha feito por mim ainda me fizeram companhia até de madrugada enquanto o marido ia comprar algo para a recém mamãe morta de fome.
Arrependimentos? Só um: não ter tirado uma foto com essa equipe linda que me acompanhou nesse momento tão inesquecível.
Ahhhh, e antes de terminar não podia deixar de falar dele né: o marido.João Paulo Manhães meu amor obrigada por me apoiar tanto, por não duvidar em momento nenhum, a sua confiança foi minha tranquilidade e minha paz durante todo o processo.
(por Juliana Mulatinho)






Nenhum comentário:
Postar um comentário