domingo, 30 de outubro de 2016

Relato de parto de Stefane Fernandes e Helena

Relato do parto...
Antes de relatar o parto em sí, é necessário abordar a quebra de um paradigma familiar que perdurou por muitos anos.
Devido ao sofrimento de uma violência obstétrica sem tamanho minha mãe perdeu a primeira filha, planejada, a sonho em formar uma família foi por água abaixo naquele momento, fazendo um trauma sem tamanho.
Iniciei minha gravidez com um acompanhamento de outro médico que pôs seu ponto de vista sobre a cerárea e a “segurança” que ela tem, e por incrível que pareça meu marido que me atentou pela escolha da via de parto vaginal, com uma simples pergunta: “-Amor, pq não tentamos um parto normal? Dizem que a recuperação é mais rápida”. Alí veio minha curiosidade e então pude conhecer uma equipe muito Humana e um médico que parece fora desse planeta por ter me tratado de forma tão bela, como todos deveriam ser, mas não são.
No dia 29/10 às 21:30h, comecei a sentir as contrações e sabia que não seria “alarme falso” meu instinto me dizia, a euforia entrou em cena, eu e meu marido ficamos “abobados” kkk a playlist começou a tocar e chamei minha irmã. Então logo liguei pro Dr.André que me informou sobre o espaçamento das contrações e orientou. Entre 00:00h e 01:00h senti minha bolsa estourar e alí as contrações foram ficando mais intensas, ele chegou e constatou que havia estourado, contudo me tranquilizou e pediu para que eu fosse descansar pois ainda estava “longe” do parto em sí, eu descansei? Não, claro, estava mt feliz. Tempos depois as contrações foram ficando mais e mais intensas, ainda aceitei os exercícios na bola, no rebozo e afins, o que não aconteceu pouco tempo depois, entrei em uma parte onde eu não conseguia mais controlar minhas ações, gritei, chorei, sorri, mordi leçóis, apertei os braços disponíveis, senti tudo isso dentro de mim ao msm tempo e sempre com o apoio do meu marido que se manteve calmo o tempo TODO, pelo menos perto de mim rsrs. Chegou um momento em que eu senti a suma necessidade de uma analgesia, me senti culpada por isso, mas logo eu pensei que aquilo era um parto humanizado, e eu tinha o direito de uma escolha que foi extremamente necessária para eu pudesse fazer minha filha nascer aliás já era 22:00h do dia 30/10, sim, do dia 30/10 façam as contas aí pra ver o tempo. Eu estava cansada, mas de fato a analgesia só aliviou no máximo 30% e tive total liberdade pra andar, tentar outras posições e etc. Fiz força e senti a cabeça dela, pedi ao Dr. para colocar a minha mão e senti o cabelinho da Heleninha, isso me deu mta força pra lutar pelo nascimento dela. Com uma equipe comemorando a saída como se fosse final de copa do mundo, lembro dessa parte com muito amor ❤ , finalmente senti a melhor sensação do mundo pra mim, ahhh sentir a Helena saindo de dentro de mim, “degustei”, apreciei cada parte do corpo dela saindo, cabeça, os ombros, pés, cordão...Se eu fechar meus olhos sinto agora. Alí foi uma bomba de amor, explodi, vi seu rosto e o leite foi logo saindo, eu olhando pra ela e ela com os olhos bem abertos olhando pra mim, aliás ela saiu de olho aberto hehehe. Eu tive o parto que queria ter, pela via que eu escolhi, pois acima de tudo tive um parto de muito amor e respeito. Me sinto a mulher mais poderosa do mundo por ter quebrado tantos paradigmas outrora presentes na minha vida, eu fiz minha filha nascer. Pude fazer meu próprio parto, obrigada por tudo! A equipe é maravilhosa, médico sensacional!
Vai um agradecimento especial ao meu marido, sei que não foi fácil me ver naquele momento, mas você se manteve totalmente controlado, anos luz mais do que eu hehehe em prol deste bem maior. Te amo e te respeito muito mais que antes e olha que eu achava impossível, obrigada por ter feito o significado do nosso amor em matéria.
À nós mulheres, somos capazes antes de tudo de termos um parto ideal, ideal para nós com nossas especificidades, Humanizado, onde somos respeitadas. Nós podemos parir, temos que continuar esta luta para que muitas outras possam ter este direito assistido com dignidade, pois enquanto escrevo muitas estão em hospitais na situação que minha mãe se encontrou.
Obrigada Senhor!
Sim, juntas nós podemos muito mais!

sábado, 22 de outubro de 2016

Nascimento do Theo - por Debora Inojosa

"21 e 22/10/2016! Para nós, esta data jamais terá o mesmo significado..... a partir deste ano, será o dia mais feliz de nossas vidas!
E hoje, venho trazer o relato deste grande dia! Antes, gostaria de explicar o porque do relato... Quem está "fora" deste universo, deve ficar se perguntando, o porque das "humanizetes"! relatarem seus partos. Os relatos são de extrema importância para quem ainda vai passar por este momento, eu lia e aprendia muito com cada relato, e tenho muita gratidão por todas que se disponibilizaram a expor, suas experiências. No dia do meu parto, lembrei de cada relato, segui várias dicas, evitei várias situações que já tinham sido sinalizadas por outras gestantes, ser desfavorável... e assim, vamos buscando o melhor estado para este grande dia. Desta forma segue minha pequena contribuição para outras gestantes.... Vou ter que começar do começo! Aos três meses de gestação, quando cheguei timidamente a equipe Humanize e ao Dr André. Minha intenção era bem simples, estava grávida e queria um bom médico para uma césarea! Não conhecia nada do mundo humanizado, do parto, nada sobre parto normal ou natural, aliás este tipo de parto era totalmente fora de cogitação no meu pequeno mundinho. Sempre me achei super sensível a dor, então passar por este tipo de parto não era algo nem sonhado. Bom, apesar disto, estava empenhada em fazer o possível ter uma gestação tranquila e um bom parto (cesarea). Participei de tudo que pude, rodas de conversas, oficinas, chá de bênçãos, pintei a barriga, absorvi tudo que eu pude do Humanize! Meu marido, Fabio Poplawski Ribeiro também participou do que pode, e estas participações foram essenciais para o dia do parto. No dia do parto, estávamos empoderados, este era o sentimento. Sabíamos o que viria no momento seguinte, e esta segurança obtivemos através das nossas consultas com Dr André e equipe do Humanize. Ao longo da gestação, sem perceber o momento que aconteceu, eu já estava totalmente mergulhada no mundo humanizado, inteirada da importância do parto independente do escolhido, porque sim, a césarea lá também é respeitada, tudo é respeitado, esta é a humanização. Bom, mas para não me prolongar mais do que já estou prolongando, vou adiante... Sendo impulsionada pela equipe mencionada de que sim, eu seria capaz do parto normal, eu comecei a pensar nesta possibilidade ainda remota! A cada consulta e grupo, meu desejo ia se fortalecendo. Os grupos! Tão importante... As gestantes ali, trocando informações, em uma energia positiva, ajuda mútua, que só quem participa entende! Decidi ao menos entrar em trabalho de parto, e tentar! Quando decidi entrar em trabalho de parto, decidi também que precisava de uma doula, no Humanize temos três maravilhosas, então, este não seria o problema. Leticia Pimentel Andrade Andrade me acompanhou,ressalto aqui, que a participação da doula para mim é essencial neste tipo de parto...
Dia 21/10/2016, minha bolsa estourou no fim de tarde, como mencionei acima, a calma é a palavra que define este momento, porque eu e Fábio, sabíamos exatamente o que aconteceria nos momentos seguintes. Pouco tempo depois, começou meu trabalho de parto, que já chegou intenso! A equipe chega a minha residencia, atenta a cada momento da evolução, a doula Leticia, o obstetra Dr André, minha querida, amada, Dr Maria Cristina, e meu marido Fábio, (que se revelou no meu trabalho de parto, com uma atenção sem igual, uma força neste momento, uma calma, tranquilidade, que nao parecia um papai de primeira viagem!) Foi preciso um tempo para conseguir me concentrar e aceitar as contrações. Sim, aceitar. As primeiras contrações eu me entreguei a dor, gritei, me descontrolei, queria parar aquilo tudo, o foco estava no tamanho daquela dor, que parecia ser insuportável, e eram só as primeiras! Passado este momento, com a ajuda de todos que mencionei, fui me acalmando, e buscando alternativas para lidar com as contrações. Lutar contra elas não iria funcionar, é como tentar enfrentar as ondas de um mar revolto. Como dizia Leticia, eram aquelas contrações que trariam meu bebê, então eu precisava delas. Então, como ondas precisava entrar no ritmo, e seguir. Assim, caminhou o restante da madrugada, a doula com suas técnicas para amenizar a dor física, Dr André acompanhando o meu estado e o do bebê, Dr Maria Cristina cuidando do meu estado emocional, e meu marido dando suporte a tudo isto, e me apoiando a cada momento. Perto de 4h da madrugada era chegada a hora! Finalmente as contrações tinham feito o seu papel, porém, é necessário não pensar no tempo! Isto não importa, na hora que for para chegar, vai chegar, tudo no seu tempo, sem pressa.... nada se controla, se aceita. Theo já estava prestes a chegar. Corremos para o hospital, Theo chegou 04:55h, no quarto do hospital, quando eu falo quarto, é isso mesmo! Nao precisei entrar no centro cirúrgico, nenhum ambiente parecido, um presente! gracas a esta equipe que me acompanhou, tudo aconteceu de uma forma natural, nenhuma intervenção cirúrgica desnecessária. Theo mamou na primeira hora de vida, troucou de roupa no quarto.... um parto natural lindo! Conseguimos o que eu nem havia sonhado, por achar tão distante da minha realidade! Foi através desta equipe que a informação chegou até mim, e pude mudar totalmente a rota da minha vida e a de Theo. A esta equipe a minha eterna gratidão, e o sentimento enorme de: vocês conseguiram mudar vidas, através do emponderamento e informação, trabalho esplêndido. Não encontro mais dentro de mim aquela Débora que queria a todo custo a césarea! Aqui, falo do desejo, caso fosse necessário a césarea, esta seria feita e bem vinda mediante ao principal, o meu bem estar e o do Theo.
Se alguma gestante me perguntar alguma "dica" para este momento, eu diria algumas:
- Informação! Pesquise, conheça o processo, principalmente a parte emocional, a parte técnica a equipe da conta!
- Escolha uma equipe que confie, e deixe as avaliações técnicas para esta.
- Menos é Mais. Análise quantas pessoas estarão com você no trabalho de parto.
- É necessário se agarrar a algo, uma âncora, no trabalho de parto. Se é uma pessoa espiritualizada, se apegue a sua fé.
- Malas prontas com antecedência....
Bom, acho que é isso! Cada uma vai viver sua experiência, que é única, o objetivo aqui é contribuir para a sua construção! E acreditem, passado todo este momento, morro de saudades do dia do parto! Se pudesse voltaria sempre ao dia 21/10/2016! E, a dor é só um conceito! RS
Beijos!

(Relato de Parto por Debora Inojosa - Nascimento do Theo)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Parto e Parir - Luta e Luto!

O parto foi para mim uma das experiências mais difíceis que já passei na vida. Daí o nome do título luta e luto... E não consigo relatar meu parto sem falar do parir. Para mim estão caminhando juntos desde o final da gestação. É estranho porque no final existia a ansiedade da espera, certo sentimento de que já tinha que ter acontecido devido a espera, mas ao mesmo tempo hoje percebo que já havia um luto pelo final da gestação...
Quanto ao parto o que se abriu foi um luto pelo ideal imaginado e pelo desfecho possível.
Eu não consegui ter o parto natural nem normal que havia planejado. Senti-me muito triste nos primeiros dias e ainda sinto, das coisas terem tomado o rumo que tomaram. Queria ter sido dessas mulheres que em minha fantasia - e a gente ouve por aí - parecem parir com tanta facilidade... 
A pergunta que me vinha era como ter tomado outra decisão (um pedido por cesariana) naquele momento? Diante da exaustão física e emocional que se abateu sobre mim? Não sei quando as coisas começaram a sair do controle. Na última semana que antecedeu o parto comecei a apresentar um inchaço nas pernas e pés. Lembro que no parto o inchaço me causava grande incômodo, um grande mal-estar. Pernas, pés, corpo muito inchado. Não sei se foi isso que me causou tanta sensação de dor em determinado momento do trabalho de parto. Talvez nunca saiba... 
Sei que a partir de certa hora, mesmo toda dilatada, comecei a perder o controle da situação. Pedi para ir ao hospital. Lembro do André dizer que aquilo não seria muito bom (algo assim). Não sei se ele já estava prevendo o abatimento que se debruçava sobre mim e que eu poderia sucumbir.
Ficava pensando que havia me preparado para um parto natural e que queria tanto ter podido dizer “eu consegui”. Numa das consultas lembro do André trazer uma metáfora: “parto é como uma obra, você planeja, mas quando começa coisas novas irão surgir e teremos que lidar (algo assim). E foi assim, tivemos que lidar com o possível e não com o idealizado.
O parto como um momento derradeiro não tem como voltar atrás. Bem que eu quis um intervalo, eu pedi que aquilo cessasse que eu tivesse paz para, de repente, poder recobrar as forças e decidir, mas era dali para frente. Não tinha como voltar atrás. E diante do inevitável que é parir, não pude naquele momento tomar outra decisão.
Lutei para lidar com o mal-estar físico durante o trabalho de parto, as dores, os incômodos, o tempo do corpo enquanto eu pude. Hoje luto para recuperar-me, restaurar-me e reconstruir-me após a experiência de parir que para mim vem representando um fechamento de um ciclo e abertura de outro com tantas e variados sentimentos.
Entre a dor e a alegria do parto e do parir também tive conquistas. Segundo André, “tive todas as vantagens do parto normal, independentemente do desfecho”. Rafaela nasceu com 41 semanas. Pude vivenciar uma boa parte do que é entrar em trabalho de parto – não consegui suportar o período expulsivo. Ela mamou na primeira hora de uma forma surpreendente. Nasceu tão madurinha que sugou direitinho desde a primeira vez. Abriu seus olhinhos assim que saiu de dentro de mim e deu sorrisinhos largos nas primeiras horas! O papai cortou o cordão, foi sua primeira manicure! Tem ajudado de forma linda nos cuidados com Rafaela! Sem contar que minha placenta virou um lindo quadro!
A recuperação da cesariana foi chatinha nos primeiros cinco dias, o inchaço demorou um pouco para ir embora. Leticia continua me ajudando muito, sessões de drenagem, doulagem, loooongaaasss conversas e risadas também!! GRATIDÃO!
Estamos indo bem! Nos recuperando e absorvendo aos poucos tantas novidades! Cada dia lidando melhor com o luto do inevitável do seguir da vida, com o inevitável que é parir, com a despedida da gestação. Com a abertura de questões que o lugar de “mãe” pode suscitar em nós! Mas cada dia melhor!
Agora preciso falar: Que lugar difícil do médico e da doula! Afinal quando saber a hora de ir ou de parar, de oferecer ou sucumbir a um pedido de um paciente por algum procedimento? Admiração por quem sustenta estes lugares tão difíceis!!!
Amei conhecer a proposta de humanização e o Humanize! Ainda preciso aprender muito, pois apostar nesses resgastes é andar contra a correnteza do “tempo é dinheiro”. É trabalhar com outra temporalidade, com outra perspectiva, com outro modo de lidar com a produção e com o corpo. Agora estou lidando com esses valores na amamentação! Estamos caminhando!
Meu marido e eu temos plena confiança nesta equipe! Temos plena confiança que fui cuidada tempo integral! Queremos deixar nossa GRATIDÃO a todos da Equipe, pelas oficinas que participamos, foram e tem sido, essenciais! Nunca me senti tão bem cuidada como na gestação. Na maravilhosa pintura de barriga, um mimo que amei! No chá com as Doulas! Nos registros! A todas as mamães e gestantes que conheci, que pude trocar! 
Quero muito deixar minha gratidão em ESPECIAL ao André e Leticia pelo apoio incondicional! Por passarem a noite e boa parte de um dia em casa, por terem de lidar também com os desfechos diferentes dos idealizados e compartilhados no plano de parto e nas oficinas. 
Já aguardando ansiosamente o encontro do grupo Nascer 2 que em breve tornará um grupo de Puerpério. O caminhar e o aprendizado continuam e quero continuar apostando nas trocas, no afeto e no apoio mútuo que encontrei no Humanize!
Estamos cada dia melhor e nos fortalecendo! Vida que segue com muita ocitocina!

(Por Emeline Costa)

sábado, 8 de outubro de 2016

Relato de Parto - Nascimento da Alice

Alice chegou nesse final de semana em um sábado ensolarado de primavera. Quinta-feira foi meu ultimo dia de trabalho e achando que ela viria apenas daqui a alguns dias, estava com tudo planejado pra curtir meus últimos dias sem "compromissos". Encontro do Humanize de manhã e casamento no final da tarde.
Massss ela sacou que "mais nada estava faltando" e pq esperar?! Pois bem, eu com as minhas 39 semanas comecei a sentir os primeiros sinais por volta de meia noite da madrugada de sexta pra sábado. Por volta das 2 da manhã as cólicas já estavam ficando diferente e com um pouco de receio achando que poderia ser um alarme falso, até pq nunca tinha sentido contração, falei com minha maravilhosa Doula Dani e partir daí tudo começou a encaminhar. Tudo que estudei e todo suporte que tive do @humanizesaudemacae durante esse tempo todo de gestação, de fato serviu pra esse momento.Em nenhum momento tive medo, muito pelo contrário, a confiança em Deus, em mim e na minha "rede de apoio" era muito grande. Pois bem, la pras 10:00 que o bicho começou pegar e a Dani chegou na minha casa e começamos a contar as contrações. Já estava bem ritmada e meu maravilhoso médico obstetra Dr. André pediu q mesmo assim eu fosse pro encontro da praia. Fiquei muito feliz não Pq as contrações eram cada vez mais forte. Cheguei no encontro não estava muito simpática. Quero até pedir desculpas a todos que vieram falar cmg lá, mas estava de fato sentindo dor...hehehe. De lá, Dr. André foi me examinar, estava tudo bem e já estava com 3 de dilatação. Decidimos partir pro hospital, era umas 14:00 e aí que eu "abracei" a causa. As contrações vinham e a Dani juntinho comigo. Massagem pra lá, massagem pra cá, banho daqui, banho de lá, vaso sanitário daqui e vaso sanitário de lá ( eu tinha vergonha de fazer coco na frente de todo mundo, masssss de fato é super normal....haha...tanto que depois nem liguei mais). Dr. André examina, tudo fluindo muito bem. Marido super me apoiando. Minha mãe chega e so ouço ela dizendo: -"Se demorar muito tem que fazer cesárea.." Mandei vazar!!!! Kkkkk... É mãe eu sei, mas esse tipo de comentário naquela hora não caia muito bem. Desculpa Mãe!! Voltando...fiquei quase o tempo todo na água e quando estava no final, foi quando o bicho pegou mesmo. Eu quis ser diva, mas não conseguir. Gritei mesmo...e Deus deve ter me ouvido muito também. Como eu clamei por Ele eu sei que foi Ele que me deu força para não pedir "anestesia" e nem cesárea. Acredite, não me passou sequer na minha cabeça esta possibilidade. Fui pra cama, e devo ter ficado na fase de expulsão uns 40 minutos. Tudo que eu havia estudado, absorvido, aprendido, assistido, foi passando na minha cabeça e isso foi me ajudando a controlar a situação. Orava bem baixinho pedindo força a Deus e incentivada pelo Dr. André, a Dani e meu marido, a Alice começou a dar as caras. De cócoras e depois de 4 e acho que de cócoras de novo em cima da cama, quando a última contração veio eu fui com toda a minha força e tchummmm: nasceu!!!! Alice nasceu quase dentro da bolsa que só "estourou" no final e foi lindo as 17:35 do dia 08 de Outubro. Foi do jeito q eu sonhei. Ela veio direto pros meus braços e consegui ali mesmo ver a emoção do meu marido (fiquei emocionada...😭) que rapidamente veio até mim e me deu um beijo. Amamentei ela logo nos primeiros minutos e praticamente todo atendimento foi ali juntinho comigo. Eu não fui privada em nenhum momento das minhas vontades durante todo o trabalho de parto, eu comi e bebi água tá? E eu só tenho agradecer a Deus, ao meu marido, aos poucos amigos que de fato me apoiaram, ao Dr. André Gervásio, a minha querida e fofa Doula Daniela Lima Doula e a todos do Humanize Macaé. Sem vocês nada disso teria acontecido, de verdade. Obrigada de montão mesmoooo! É possível ter um parto normal, sem sofrimento, sem cortes, sem laceração, sem "anestesia" e sem violência. É possível ter um parto normal lindo, intenso, rápido, maravilhoso e por que não gostoso? Ah, e isso na foto é uma placenta ta? E eu não comi tá? Parto normal humanizado não precisa disso...hahaha. Eu queria escrever mais e mais, mas vou ficar por aqui. Estou muito à disposição para trocar experiências pra quem tem interesse. Já estou em casa desde ontem de manhã, linda (modéstia), disposta (me controlando, pois tenho que ficar de resguardo), cuidando da minha filhota e super apaixonada pela vida.


(por Ana Carla Soares)