domingo, 28 de agosto de 2016

Tadinha dela....

Paciente após uma gestação fisiológica vive o tão sonhado período expulsivo, vocalizando, vencendo amarras do passado, se apropriando da sua nova condição de mãe ouve ao longe um "tadinha dela....."
E eu me pergunto tadinha de quem?
Aquela mulher prestes a dar a luz se preparou durante a gestação através de várias leituras, participou de rodas de conversa, construiu o seu próprio conceito de nascimento e fez suas escolhas através de um lindo plano de parto. Empoderada assumiu o seu papel de mulher e sobre a cama, na posição de quatro apoios, recebendo pulsos de ocitocina e endorfina, urrava com toda energia necessária para trazer o seu filho ao nosso mundo e o fez.
Por outro lado, aquela mulher que esperava a chegada do bebê, cegada pela ignorância a respeito da fisiologia do parto, só conseguia perceber uma gestante gritando de dor.
E deixo aqui uma provocação:
Diante de uma obra de arte é possível perceber a grandeza do artista quando se conhece a arte. Para você que não conhece a arte de partejar vá estudar para refinar o seu olhar.


(por André Gervásio - Obstetra/Parteiro - Equipe Humanize)




sábado, 27 de agosto de 2016

Relato de Parto - por Andressa Camacho

E hoje, 27 de outubro de 2016, exatos 2 meses do dia mais importante de nossas vidas, o dia mais cheio de amor, o dia mais cheio de vida. E como lembrar desse dia e não se emocionar?
Você veio ao mundo do jeito mais lindo possível, mais natural possível, foram horas de dores sim, mas em meio as dores, sorrisos, porque eu tinha a plena certeza que sua chegada estava próxima. Teve frio, teve calor, teve contração fraquinha, teve contração punk, teve dor de barriga, teve vontade de desistir, teve vontade de acabar logo, teve vontade de não acabar também, teve sono profundo em meio aos intervalos das contrações, teve cabelo super hiper ultra mega bagunçado, teve delírio, teve o famoso círculo de fogo, e teve MUITA coisa que aconteceu que eu não me lembro, mas lembro talvez do mais importante, a felina que tinha escondida dentro de mim que se revelou naquele instante, e te trouxe ao mundo no puro instinto. E quando você chegou? Que momento único, que momento lindo, que momento mágico, te peguei em meus braços, ainda tomada pela emoção de não acreditar no que tinha acabado de acontecer, o melhor cheirinho do mundo, o melhor abraço do mundo. No dia 27 de agosto de 2016 não nasceu só você meu filho, nasceu também uma mãe, nasceu um pai, nasceu uma família! Você me ensinou e continua me ensinando o sentido da palavra AMOR. Desde o dia em que você nasceu não faço questão de lembrar como era minha vida sem você.
Agradeço até hoje a Deus principalmente por me sustentar nesse momento, agradeço a Ele pela sua vida meu filho, e a Nossa Senhora por ter nos coberto com seu manto em todas aquelas longas horas (deu tempo até de rezar o terço entre uma contração e outra antes de ir pro hospital haha).
Agradeço a Equipe Humanize pelas rodas de conversa, ganhei muitas informações úteis para passar por esse momento, agradeço demais ao Dr André Gervásio pela disponibilidade, paciência, e total atenção (principalmente com o marido que achei que ia cair duro kk tadinho), a Francine Lima por se disponibilizar em registrar esse momento mágico na minha vida, (mesmo quase não dando tempo kkk) obrigada de coração Fran, o seu trabalho é lindo.
Agradeço também a Dra Leandra, por ter cuidado do meu pacotinho.
Obrigada Cunha/doula e marido por estarem no meu lado nesse momento, se não tivesse vocês não sei se eu conseguiria.
E obrigada a todos que não acreditaram em mim, sério, foi super importante os pensamentos e comentários negativos de vocês, me deu um gás enorme querer mostrar pra vocês (e pra mim principalmente) que é possível sim parir. Parir sem sorinho, sem corte (Episiotomia), sem laceração, sem anestesia, na posição que eu achar melhor. Eu fui feita pra isso, meu corpo foi feito pra isso.
É POSSÍVEL PARIR COM RESPEITO E SEM INTERVENÇÕES! E EU PARI!
Parto Humanizado é isso, eu fui a protagonista do meu parto, eu pari, e o melhor, me senti a pessoa mais importante do mundo naquele momento tão difícil!
#OBebêTaCrescendo #2MesesDoMaisPuroAmor

(por Andressa Camacho)





terça-feira, 23 de agosto de 2016

“PARTO ATIVO” uma visão refinada do nascer

Há cerca de 5 anos fui levado pelas mulheres que atendia no consultório a fazer alguns questionamentos tais como; por que fazer igual ao sistema, por que parir deitada, por que cesarianas marcadas fora do trabalho de parto, por que nascer de formar artificial se somos seres mamíferos da natureza?
Iniciei uma caminhada de pesquisa científica e de campo e me deparei com um mundo paralelo, o mundo do renascimento do parto. Começava a perceber uma nova forma de acompanhar o nascimento; e o caminho foi se abrindo, clientes amigas fortaleciam minhas novas percepções. Como uma espécie de diapasão profissional, fui sendo brindado com a chegada de profissionais de diferentes áreas do saber e agrupamo-nos sob a égide do respeito ao nascimento.  
E se deu o primeiro nascimento, nasceu o HUMANIZE. Percebíamos a quebra de paradigmas e que novos conceitos eram necessários e fomos a busca deles. Seis, foram os que compraram juntos os bilhetes para ingressar nesse mundo do renascimento do parto, sim fizemos o Curso de Doulas.
Eu como médico obstetra senti na pele muita agressividade de algumas das participantes do curso, que por razões que fogem ao meu objetivo deste texto, colocam o médico obstetra como algoz de toda maleficência que esta presente no sistema obstétrico atual. O curso foi fantástico, pois nos mostrou uma nova forma de assistir o nascimento com informações e conhecimentos baseados em evidências científicas, nos encheu de idéias para projetos inovadores sob uma visão refinada do nascimento.
O curso de doulas foi um marco de mudança da minha forma de perceber, assistir e intervir no processo do nascimento. Tenho assistido vários nascimentos e cada nascer reforça a minha mais profunda admiração pela mulher, respeito pela fisiologia do parto e devoção por DEUS.
Nós equipe HUMANIZE acreditamos no parto respeitoso, ativo; onde a mulher segue seus próprios instintos e a lógica fisiológica do corpo. Ela não é objeto de uma condução de parto e sim a principal protagonista do processo de parir, ela é a mamífera. A liberdade de movimentação durante o trabalho de parto e no momento do parto, segunda as evidências científicas, trazem inúmeros benefícios como mais oxigênio para o útero/placenta e bebê, ângulo de descida mais fácil no canal de parto, mais espaço na pelve e maior plasticidade do canal de parto e conseqüentemente um trabalho de parto e parto mais curtos, mais fáceis e menos doloridos; um nascimento seguro.
 Sim, acreditamos também, que a cirurgia cesariana é uma intervenção que salva vidas, quando há indicação médica por conta de uma dificuldade ou emergências obstétricas e nesse caso é recebida com grande gratidão. Este procedimento cirúrgico pode ser “humanizado” quando a comunicação, a atenção, o respeito e os sentimentos maternos são levados como prioridade, assim como o contato mãe/filho na primeira hora de vida.
Defendemos indubitavelmente a conciliação do respeito à fisiologia do parto e o uso de novas tecnologias. Sim; a nossa bandeira é o parto ativo onde a mulher é a protagonista do processo; e somado ao uso individualizados de todas tecnologias possíveis chegamos ao nosso ideal que é: o parto seguro, respeitoso onde o bebe e a nova mamãe podem iniciar a nova fase em sua plenitude física, psíquica e moral.

Por André Gervásio - Obstetra/Parteiro - Equipe Humanize


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Relato de Parto - Nasce um Pai!

Inspirado pelo relato do parto da minha esposa Priscila Guido (que foi excelente, diga-se de passagem), resolvi relatar um pouquinho do que foi para mim tudo isso que aconteceu na minha vida nos últimos anos. Nunca fui muito bom em escrever publicamente sobre mim, mas vou fazer o meu melhor. Lá vai:
"Ser pai" sempre foi algo que pensei e discuti pouco ou quase nada ao longo dos meus 28 anos (tô ficando velho, xessus). Tive certeza por várias vezes que nunca seria pai, que não queria ter filho. Fugia da responsabilidade, do trabalho, da preocupação e de parar e pensar em tudo isso. Me conheço o suficiente pra saber que quando preciso ou escolho cuidar de algo, eu me jogo de cabeça, esqueço tudo, coloco todas minhas vontades em segundo plano. Por causa disso já tive experiências extremamente ruins na minha vida, mas não era só por causa disso. Eu simplesmente não conseguia me ver pai.
Casado com a Priscila, apareceu um mundo novo pra mim. Descobri um amor sem limites, uma vida nova, muito carinho e cumplicidade. Uma companheira para dividir minhas chatisses, minhas ideias malucas, minhas conclusões mirabolantes de tudo que existe, que não existe e que pode ser que exista. Sempre vivemos com a maior transparência possível, nos entregamos da mesma forma e somos muito parecidos nessa coisa do "se jogar de cabeça". Era (e é) perfeito.
Desde sempre ela queria ser mãe. Desde sempre mesmo. Um dos primeiros papos que tivemos mais sérios foi sobre família, mais ou menos aquela perguntinha basicona "Quer ter filhos?", ela disse sempre muito firme, decidida e sem nenhum medo: sim, eu quero ser mãe.
E, ao longo do relacionamento, com a intimidade e a intensidade aumentando, fomos começando a tomar algumas decisões para que isso acontecesse. Por várias vezes eu me perguntava se eu estava pronto, porque não queria errar de jeito nenhum. Me preocupava com as contas, com a economia do Brasil, com a estabilidade do meu emprego, se já estava na hora.. Acho que isso é coisa de (futuro) pai.
Mudar a rotina, acordar de madrugada, não poder mais sair pra onde quiser sem muito planejamento.. Pensar em perder isso dava medo. Ter uma relação tão boa com a minha esposa faz a mudança dar MUITO medo, seja ela qual for. Aquela velha frase besta "Em time que está ganhando não se mexe". Bom, vou começar a discordar totalmente nesse momento.
Cada vez a Priscila me fazia acreditar mais que eu seria um bom pai. Fazia minhas qualidades aparecerem pra pessoa mais crítica com relação a isso: eu mesmo. Não virei pai no dia que a Aimée nasceu.. Eu já estava em processo desde o dia que conheci minha esposa. Fui melhorando como ser humano, como marido. Descobri qualidades e defeitos que nem sabia. Me recriei. Fomos administrando cada vez melhor o início de casamento que é complicadíssimo e chegamos a um ponto da relação que nunca imaginei de tão equilibrado e saudável. Como duas pessoas podem se completar tão bem?
Então, após superar todos os medos e preocupações, comecei a curtir a ideia. Começamos a pesquisar sobre partos, como seria, onde seria. Eu, que achava que só paria fora de hospital quem não chegava a tempo, descobri um mundo novo: o parto humanizado. Minha esposa me apresentou essa "loucura" e cada coisinha que eu lia ou via a respeito, eu ficava mais admirado. Ver uma cesárea era praticamente um filme de terror pra mim. Só conseguia pensar "coitada dessa criança!".
Minha esposa sempre forte e decidida, queria o parto normal. Sempre quis. E eu respeitei, apesar de achar meio loucura. Depois de pesquisar e entrar nesse mundo, loucura era não fazer parto normal. Então tudo perfeito, é só parir!
Só que não, né. Parto normal aqui na nossa região é quase impossível. Pelo menos um respeitoso. Na verdade, até "desrespeitoso" é quase impossível. Reviramos os médicos do plano de saúde de cabo a rabo, nada. Decidimos que iríamos ter em casa se fosse necessário, mas cesárea não iria rolar mesmo. Pois bem, começamos a tentar.
Priscila foi em um médico para começar a fazer os exames necessários e bater um papo sobre isso. Fomos informados pelo médico que iria demorar um pouco. Demorou mesmo, ô. No mês seguinte estávamos grávidos! Que coisa mais assustadoramente maravilhosa! Priscila me contou no dia que soube, com direito a cartinha e muitas lágrimas. As dúvidas e preocupações ainda estavam lá, mas a felicidade foi muito maior que isso.
Daí começamos a busca de verdade por um médico de confiança. Fomos em vários GOs e não gostamos de nenhum. Na verdade, odiamos o tratamento de todos eles. É assustador esse "mercado de cesárea" e a violência que as grávidas sofrem. Acho que só quem realmente vive isso entende o tamanho da crueldade.
Então, além de nos tornarmos pais, precisamos nos tornar rebeldes. Porque, sério, 99% das pessoas te acham maluco. Parir numa piscina? Com parteira? Sem anestesia? Você vai deixar sua esposa e seu filho correrem risco?
Confesso que não sei o que faria se eu que fosse parir. Mas a coragem e determinação da Priscila me encorajaram a tudo com ela. Defender suas vontades e garantir um parto respeitoso era minha primeira missão como novo pai.
Então, meio sem querer e sem esperanças, fomos em um encontro do Humanize que minha esposa achou no Facebook. E achamos um grupo de pessoas com situações parecida, dúvidas e objetivos que nos identificamos demais. Encontramos ali a equipe que realmente confiamos e era o que precisávamos. As próximas 28 semanas (sim, porque eu sei contar semanas agora) foram de total entrega. Vivemos intensamente tudo isso. Choramos diversas vezes de emoção em pensar que nosso amor teria um fruto. E o dia chegou.
Ver sua esposa parir é assustador, de verdade. É uma sensação de impotência absurda. Parece que a hora não passa, você realmente não tem o que fazer além de dar força e atender cada coisinha que possa aparecer pra você fazer por ela.
Eu sempre admirei a Priscila, mas essa experiência foi algo sobrenatural. Quanta força, concentração, foco.. É praticamente uma palestra motivacional ao vivo.
E assim foi. Das 11 da manhã até as 15:30. Basicamente foi dor, chuveiro, dor, cama, massagem da Dani, dor, ar condicionado, dor, mais massagem da Dani, coberta, dor, dor e dor. Pelo menos é o que lembro desse turbilhão de emoção. Mas a dor, claro, é de uma nova vida vindo ao mundo. Uma dor que eu olhava no rosto da minha esposa e sabia que ela tava pronta e estava no controle. Eu que estava em pânico, pra falar a verdade. Sério, como vocês conseguem? Mas suportei e dei o meu melhor. Superei minha vontade de arrancar aquela dor dela e observei todo aquele ritual incrível. Era minha filha vindo ao mundo de verdade.
Saímos correndo de casa, pois esperamos até o último minuto pra ir pro hospital. Minha filha queria nascer na cozinha de casa, no terreno ao lado da nossa casa, no carro do Dr. André a caminho do hospital, mas minha esposa novamente superou as dores e inclusive a natureza e segurou. Chegamos no hospital e 12 minutos depois a Aimée chegou. Rápido assim. Ninguém tocou nela antes da Priscila. Ela saiu, apareceu para o mundo num silêncio angelical e minha esposa a puxou para os braços. Lembro que além de dor tinha muito, muito sangue. Então ela chorou nos braços da minha esposa e nós dois nos olhamos sabendo que tínhamos subido mais um patamar nas nossas vidas. Os olhos encheram de lágrima, porque até então era tanta pressa e tanta adrenalina que nem dava pra pensar muito bem em tudo que estava acontecendo.
Isso tudo aconteceu em um dia e eu demorei quase 2 meses pra conseguir tentar começar a me explicar. Meus sinceros agradecimentos a Dani e ao Dr. André que fizeram tudo isso com tanta destreza, delicadeza e amor. E principalmente a minha esposa Priscila que, apesar de se achar "cagona", me deu um exemplo de coragem e força de vontade que mudou minha forma de enxergar qualquer desafio que possa aparecer.
Eu sou pai!

(por Roger Cardoso)



Relato de Parto - Nascimento da Aimee!

Hoje minha carrapatinha completa um mês!
Um mês de fraldas sujas, golfadas, choros de madrugada e noites mal dormidas, mas um mês cheio de amor e felicidade.3
E vai ter textão, mas é textão de amor :)
Hoje vou contar pra vocês como foi meu parto, mas não tem como começar a contar pelo parto... essa história começa beeem antes... uns 2 anos antes.
Tudo começou quando a filha de uma conhecida, aos 16 anos, grávida e sem recursos, foi ter seu bebê no SUS e sofreu diversas violencias obstétricas (coisa que eu nem sabia que existia e ao pesquisar descobri ser super normal). Ao saber da história fiquei pasma, revoltada, esbabacada... não conseguia acreditar que alguém que trabalha na área da saúde poderia tratar tão mal uma pessoa num momento de tanta vunerabilidade.
Dali pra frente comecei a descobrir o mundo da humanização.
Mais ou menos na mesma época, a vontade de engravidar começou a se manifestar em mim. Eu e meu marido, até então com 1 ano de casados, conversamos e fizemos planos com uma data mais ou menos prevista pra colocar o plano em prática. Até a data chegar foram muitos artigos, videos de parto, documentários, filmes, relatos, encontros, busca de equipe na região....
Depois de absorver um mundo novo de informação, eu e meu marido estávamos conformados que não existia equipe humanizada na região para parto hospitalar, e como seria muito difícil ir para o Rio, buscamos profissionais pra um parto domiciliar, mesmo com medo de alguma coisa dar errado.
Até a metade de 2015 eu tinha certeza que não teria outra possibilidade de um parto respeitoso diferente disso, foi quando conhecemos pelo facebook a equipe Humanize em Macaé. Li alguns poucos relatos, vi agenda de atividades com encontros gratuitos, mas acabamos não indo em nenhum antes de engravidar.
Tudo bem até ai... tudo lindo e maravilhoso, em Outubro/2015 decidimos tentar engravidar, e eu que achava que demoraria pelo menos uns 10 meses pra conseguir, engravidei no primeiro mês \o/!
Em novembro descobrimos que tinha um gergelim com coração dentro de mim! Ouvir aquele coraçãozinho minusculo pela primeira vez me fez chorar3
.
Como boa ansiosa que sou, assim que confirmamos a gravidez, fomos atrás da equipe pra fechar tudo o mais rápido possível. Nessa busca ouvi verdadeiros absurdos de alguns médicos, meu santo não bateu com vários profissionais, doulas, enfermeiras, médicos... e alguns que eu gostava não conseguia confiar... Até que um belo dia fomos num encontro na praia em que estava a Daniela Lima Doula (minha doula linda) e o dr. André Gervásio (meu GO), saímos do encontro com o telefone da secretária dele e um horário marcado com a Dani.
No encontro com a Dani foi tudo lindo, eu tinha encontrado minha doula 
! Eu que já tinha encontrado outras 4 ou 5 doulas, tinha levado caderninho de perguntas pra fazer pra todas as outras, não senti necessidade de perguntar nada pra ela, foi amor a primeira vista rsrs, eu estava satisfeita com ela e ponto!
Já na consulta com o dr. André, eu e meu marido fomos cheios de insegurança e com um caminhão de perguntas pra fazer, por já termos perdido as esperanças de um medico humanizado na região... e incrivelmente fomos surpreendidos, saímos de lá com esperança!
Ótimo, já tinha Doula, GO e agora um plano A e B para o parto. Eu morria de medo de tentar parir em casa e algo dar errado, chegar no hospital com plantonista e sofrer violência obstétrica... pois bem, não precisaria passar por isso :)

Com 13 semanas descobrimos que era uma menina, apesar de ter certeza que seria um menino hahahah! Demoramos mais pra escolher o nome dela do que a equipe pro parto... mas com 20 
semanas escolhemos, Aimée estava a caminho! 
A gestação foi avançando e eu que sempre tão ansiosa, estava calma e tranquila, com tudo planejado, quartinho e enxoval em andamento, sempre lendo relatos de parto e agora uns novos com o dr. André que me deixavam cada vez mais tranquila quanto a nossa escolha.
Minha mãe engravidou 3 vezes, as 2 primeiras parto normal e a última cesárea... nas duas primeiras a gestação passou de 40 semanas, então eu dizia estar preparada pra chegar às 42... doce engano! Com 39 semanas a ansiedade chegou e eu só queria saber o dia que ela nasceria. 
O marido com férias marcada, e eu subindo e descendo escada o dia todo, tomando chá da Naoli, fazendo agachamento, exercício na bola de pilates, comendo coisas apimentadas e nada de contração... nem contração de treinamento eu sentia
! Ai além da ansiedade, chegou a insegurança. E se meu corpo não soubesse parir? E se eu não entrasse em trabalho de parto nunca? E se a Aimée não quisesse nascer de parto normal?... um monte de besteiras passou pela minha cabeça, e se não bastasse isso ainda aparecem um milhão de abençoados pra falar besteira né? Mesmo que a maioria das pessoas não soubesse a data prevista pra ela nascer, eu com 39 semanas dizia pra todos que estava de 34 pra não ouvir besteiras, mas não adianta, sempre tem alguém pra falar alguma coisa (ou muitas coisas).
Dia 01/08 (com 39+4), eu em casa esperando o marido voltar do trabalho e começo a sentir contrações. Ebaaaaaaaaa, meu corpo sabe o que fazer, só não chegou a hora ainda.
Depois de 1 hora com contrações sem ritmo nenhum, elas sumiram, desapareceram como se nunca tivessem existido. E eu que já tinha dado o alerta pra Dani e pro Dr. André, tive que 
avisar que a Aimée tava de brincadeira, eram só prodromos!
Dia 02/08 passou tranquilo e calmo, acordei sem sentir nenhuma dor, nem no quadril, nem na lombar, nem peso na barriga, NADA!!!! Parecia que nem tava grávida! Todos os desconfortos do final da gestação haviam sumido.
Dia 03/08, aniversário de casamento! Eu e meu marido fomos jantar e Pokemon Go foi lançado rsrsrs... depois da janta saímos pra andar e caçar uns pokemons, eu estava feliz e despreocupada, a ansiedade havia sumido, porque afinal de contas meu corpo já tinha me mostrado que sabia o que fazer quando chegasse a hora e eu tava muito ocupada procurando pokemons rsrsrs.
Dia 04/08 - 40 semanas exatas, 4h da manhã, acordo pra ir ao banheiro e o tampão sai! Manda foto nojenta pra Doula (y) hehehe
4:30 a primeira contração.
5h a outra... 5:07 mais uma... 5:11 outra, 5:14, 5:17... e assim seguiram de 3 em 3 minutos mas praticamente sem dor... apenas um desconfortozinho!
Avisei a Dani e o Dr. André de novo e a Chaynala (fotografa linda que registrou tudo com o maior amor do mundo), meio incrédula porque não sentia dor, só a barriga contraindo, e estavam muito próximas as contrações, achei q era mais um alarme falso, dos milhões de relatos que eu li, o intervalo aumenta aos poucos, não começam assim de 3 em 3 minutos... isso só acontece quando já ta nascendo (pegadinhas da vida).
Lá pras 8:30 a Dani chegou e eu estava sentindo umas cólicas enjoadinhas durante as contrações, parecia cólica menstrual, mas nada de dor na lombar.
As 9h a dor foi aumentando e resolvemos ir ao consultório do dr. André pra acompanhar a evolução, porque não era possível que essas contrações estivessem a cada 3 minutos e não estivesse com pelo menos uns 5 de dilatação =p!
Arrumamos a mala que eu não tinha arrumado ainda, colocamos tudo no carro e fomos pra lá. 3cm de dilatação e só! Pro meu desespero rsrsrs. Voltamos pra casa, as dores aumentaram, a lombar começou a incomodar, entrei no chuveiro quente e que delícia https://www.facebook.com/images/emoji.php/v5/f4c/1/16/1f642.png:)
!!! Aproveitei até pra usar meu sabonete liquido esfoliante que não usava a dias.
Sai do chuveiro, com a dor rufando, mandei mensagem no whatsapp pra saber como todas aquelas loucas do grupo de mães conseguiram aguentar a dor... xingando mentalmente cada uma 
delas que disse que valia a pena. E eis que entre uma contração e outra (ainda a cada 3 minutos) eu na cama, fui descer pra me encolher e aguentar a dor passar, e a bolsa rompeu as 11h, com um Ploc que só eu escutei, porque nessa hora estava tocando a playlist que tinha feito pro parto!
Corri pegar papel higienico no banheiro pra ver a cor da água, pq o bendito chão do quarto é marrom escuro, e a água estava amarela esverdeada, parecia um chá de boldo!
No mesmo instante milhões de coisas ruins passaram pela minha cabeça, mas só consegui olhar pro meu marido e falar: "tem mecônio" com a voz mais triste do mundo, achando que teria que correr pro hospital e acabar em uma cesárea.
Ao mesmo tempo a Dani ligou pro dr. André, avisou que a bolsa tinha rompido e a cor da água e ele disse que viria o mais rápido possível (ele estava atendendo no consultório).
Avisamos a Chay também que ela podia vir.
12h o dr. André chegou e eu ainda estava com 3cm de dilatação, obvio que ele só não quis me falar de jeito nenhum(só soube dos 3cm depois q tdo acabou), mas me falou pra ficar tranquila e deixar meu corpo trabalhar pq eu tava muito ansiosa, eu achando que minha lombar ia quebrar em um milhão de pedacinhos a cada contração, cansada e com sono e ele não me fala com quanto estou de dilatação! Nesse momento eu imaginei que era porque não tinha evoluido nada, falei pro meu marido: "Vai atrás do dr. André e descobre com quanto eu estou de dilatação, pq se não tiver evoluído eu quero ir pro hospital agora, eu não vou aguentar ficar até amanhã sentindo essa dor não!"
E volta meu marido sem resposta! Apenas me pedindo pra ficar calma que eu to indo bem e que ia dar tudo certo.
Foi o momento do cagaço! Falei pra eles que eu não ia aguentar, que eu queria chorar e tudo que eu pensava era em ir pro hospital e tomar uma anestesia, fiquei com calor e achei que ia desmaiar, fiquei com frio e me cobri toda.... e a Dani com toda calma e amor do mundo me diz que eu vou aguentar sim e que eu posso chorar que faz bem!
Tomei um gole de água que vomitei na primeira contração. Inclusive... suei, chorei, vomitei, fix xixi e cocô durante o parto, liberei todos os fluidos possíveis que existiam em mim, e olha que eu MORRIA de medo de fazer coco durante o parto, mas na hora eu realmente não me importei com nada disso.
Até esse momento eu tava preocupada com tudo, queria saber se a Dani tinha almoçado, se a Chay estava a caminho, se o Dr. André tinha conseguido acessar o wifi, se os cachorros estavam bem.... nessa hora (que eu nem sei mais que hora que era) eu entrei no chuveiro e esqueci de tudo, me concentrei no meu corpo, na minha dor e a cada contração eu pensava que era menos uma, que estava passando e que eu não ia quebrar no meio pq a dor não podia ser maior do que eu! 
Chega a Chay toda feliz pra registrar tudo, e eu que disse que estaria maquiada e de cabelo feito, estava de top no chuveiro, toda descabelada, sem um pingo de base na cara e com muita, mas muita dor!!!
O dr. André de tempos em tempos ouvia os batimentos da Aimée pra se certificar de que estava tudo correndo bem. Ajoelhado no chão do meu banheiro, se molhando todo, mas ouvindo a Aimée no conforto da minha casa

Em algum momento que eu não sei qual foi, ele me diz que eu to indo muito bem! Na minha cabeça tinha passado só uns 20 minutos e eu não tinha dilatado mais nada ainda... minha vontade de xingar ele foi enorme hehehehe, mas logo depois ele veio e me falou que estava na hora de irmos pro hospital, fui terminar um banho de verdade pra me arrumar e sair de casa, foi quando me deu uma vontade louca de fazer força 
(Y)!
Infelizmente dai pra frente tudo ficou meio turvo na minha cabeça e eu não sei a ordem cronológica correta das coisas. Só sei que entre as contrações eu sai do chuveiro, me vesti mal e porcamente, e a cada contração eu sentia que ela ia acabar nascendo em casa, mas morrendo de preocupação por conta do mecônio. Desci as escadas, fui ver se a porta da cozinha estava trancada e precisei agachar em uma contração... foi quando senti a cabeça dela descendo! Fomos saindo e quando fui entrar no carro, meu carro estava com o bebê conforto da Aimée e não daria pra Dani ir do meu lado fazendo massagem (coitada, ficou horas fazendo massagem a cada 3 minutos em mim, até os braços ficarem dormentes rsrsrs)... nesse milésimo de segundo que parei pra pensar, veio outra contração e agachei entre os carros, no meio de um terreno do lado da minha casa e senti a cabeça dela descer mais um pouquinho(vejam a foto maravilhosa que a Chay tirou ). Dr. André me pegou pelo braço e me colocou no carro dele, e foram os 11 minutos mais cheios de adrenalina da minha vida rsrsrs... Eu no carro do dr. André com a Dani fazendo massagem a cada 2 minutos, usando toda minha concentração e força pra não deixar a Aimée nascer longe do Roger que estava no nosso carro, olhando pra trás entre uma contração e outra para ver se ele estava conseguindo acompanhar o dr. André enquanto ele ligava pra Pediatra, pro hospital e tentava desviar dos carros pra chegarmos mais rápido.
Paramos em frente ao hospital, Roger logo atrás e eu já não lembrava mais que a Chay tinha ido junto pra registrar tudo, ela também não estava por ali! Subimos o mais rápido possível pro centro cirúrgico, troquei de roupa la dentro mesmo, Dr. André entrou, montou a banqueta e me disse que só era pra eu usar se quisesse, mas que eu poderia parir na posição que eu achasse melhor. Eu que passei o TP inteiro me agachado durante as contrações e desejando um banquinho, não consegui pensar em fazer força em outra posição. 
Só deu tempo de sentar na banqueta e Roger entrou pela porta \o/! Não sei quantas contrações foram até ela nascer, mas foi tudo muito rápido, saímos de casa 15:27, chegamos no hospital 15:38 e ela nasceu 15:50 
(y). Com a maior contração de todas até então, saiu a cabecinha dela e a dor acabou! Ela ficou incrivelmente quieta e eu perguntei se ela tava dormindo (coisas idiotas que falamos durante o parto hehehe). Então a dor voltou e eu comecei a pedir pro dr. André puxar ela de mim... mas ele só colocou a mão pra ver se tinha circular do cordão, como não tinha ele tirou a mão e n fez nada, e eu desesperada e ansiosa, segurei ela e puxei (Y) rsrs
Peguei no colo aquela coisinha pequena, feinha e inchada, cheia de sangue e mecônio e o amor transbordou




! Ela só ficou bonitinha uns 3 dias depois rsrs
Assim foi o parto que não posso chamar de meu.
No dia 04/08 as 15:50 eu vi nascer minha filha Aimée, vi nascer um pai onde antes só existia um marido, e vi nascer esperança de humanização pra uma região inteira onde antes só existiam partos hospitalares cheios de procedimentos desnecessários.
E eu que tinha certeza que o mecônio me faria ter uma cesárea, quase pari em casa, na rua, no carro...
Obrigada Roger por entrar nesse mundo comigo, por absorver toda a informação que precisávamos, me ajudar a tomar as melhores decisões, ficar do meu lado o TP todinho e ser o melhor pai do mundo.
Obrigada Dani por me ajudar a passar por aquelas horas de dor, pelas massagens, por acreditar no meu corpo quando eu duvidei dele e não me deixar desistir.
Obrigada dr. André pelo apoio, por não me levar pro hospital antes da hora certa (10 minutos antes e eu teria pedido anestesia e sabe Deus mais o que), por me passar tranquilidade e calma quando eu tava preocupada com a saúde da Aimée e por sentar no chão do meu banheiro pra ouvir os batimentos da dela!
Eu tenho certeza absoluta que não conseguiria sem vocês!!! 

(Por Priscila Guido)