Nascimento Théo -
Parto Humanizado
Por Andreza Kiffer
Gestação
Com 5 meses
de gestação minha atual médica sofreu um
grave acidente e falecimento de seu marido no qual tivemos que ir a procura de
um novo médico para darmos continuidade ao pré natal. Através da colega Michele
Reis, conhecemos o admirável médico André Gervasio, um ser encantandor
apaixonado pela humanização do parto. Compondo sua equipe, conhecemos também a
incrível Doula Dani que nos incentivou através de preciosos conhecimentos sobre a real
importância de um parto totalmente humanizado.
Minha
gestação foi totalmente tranquila, com acompanhamento de atividade fisica
através da musculação com o querido profissional Thales Gomes. Iniciamos os
treinos a partir das 15 semanas , conforme liberação médica
até as 39 semanas (4 dias antes de dar a luz). Os treinos me
proporcionaram disposição e nenhum tipo de inchaço e desconforto durante toda a
gestação.
Com 12
semanas , fizemos a ultrasson de rotina e foi relatado 80% de chance de ser uma menininha. Na chance já
havia escolhido o nome, seria Eva rs. Mas com 16 semanas e 5 dias (17 de
dezembro) através de uma nova ultra tivemos 100% de confirmação que teríamos o
tão sonhado menininho da família, sonho realizado da nossa filha Mila rs.
Relato do Parto
No dia 20 de maio fomos ao congresso
LOUVART de nossa igreja e depois a uma
confraternização na casa da amiga Sonia. Batendo um papo descontraído
acabamos saindo de lá as 3h da madrugada do dia 21. Ao acordar, fui ao banheiro
as 9h da manhã e visualizei no papel higiênico a saída do tampão. Entrei em
contato com o Dr André e Dani e pediram para observar a evolução..se haveria
alguma contração com dor. Mas não observamos nada..apenas as contrações de
treinamento que já era rotina quase que diária desde o 6 mês de gestação.
Prosseguindo, dia 23 de
maio fomos a consulta pré natal.
Dr André fez o toque e disse que eu ainda estava com 2cm de dilatação, conforme
o toque anterior do dia 19 de maio. O toque que ele fez neste dia foi um pouco
dolorido e com sangramento pois foi um toque para estimular as contrações
uterinas. Ele informou que eu sentiria no
final do dia umas cólicas leves por conta disso. Por volta por volta das 23h, estávamos em casa só eu e
o Fabinho pois a Mila havia ido dormir
na casa da VoVó Dilceia. Nesse momento, comecei a sentir um leve desconforto
com vontade de evacuar. Fui para o banho para ver se eu relaxava. Como me
lembrei de como iniciou o trabalho de parto da Mila que foi exatamente desse
jeito, fiquei um pouco tensa e ansiosa achando que já era a hora. Fui ao
banheiro, evacuei algumas vezes e resolvemos entrar em contato com a Doula para
ela nos dar um norte. Pediu para que comecassemos a anotar de quanto em quanto
tempo o incomodo vinha pois ela estava juntamente com o Dr Andre fazendo o
parto de duas gestantes que estava em trabalho de parto ativo. Como meu
nervosismo aumentou por saber que estava distante de Macaé, minha pressão subiu
um pouquinho e o tremor por conta do nervoso começou. Tomei um remedio para
pressão e Fabinho tentava me ajudar conversando comigo, me fazendo carinho para
que minha mente voltasse a ter controle..sabíamos que tudo estava no controle
da mente. Mais tarde novamente entramos
em contato com a Doula e falamos que as contraçoes estavam mais intensas..mais
na verdade foi o nervosismo que as deixou mais intensas, realmente ainda não
era a hora de me preocupar. Dani disse que pelo fato de estar longe e nervosa,
poderiamos ir ao hospital em Macaé para
que Dr Andre me examinasse. Saímos então
de casa eu e Fabinho as 2h40 .
Chegando lá fizemos o cadastro na
recepção e nos levaram para o quarto. Ficamos com a Dani para que ela
controlasse e anotasse o espaço entre as contraçoes e a intensidade delas.
Comecamos a fazer alguns exercícios na bola do pilates e massagem na lombar
para aliviar a dor. Ela já havia percebido que as contrações não eram tão
fortes assim e ainda muito descoordenadas. Tentei descansar na cama mas o sono não
vinha por conta de minha ansiedade. Por fim, amanheci sem conseguir dormir e as
7h da manhã Dr André entra no quarto para fazer o toque. Para minha
“tristeza” o colo do útero não havia
apagado e dilatação sem evolução permanecendo com 2cm. Então Dr André conversou
conosco nos convencendo de que seria melhor retornarmos para casa para
anotarmos quando as contrações de fato estivessem ritmadas e intensas. A partir
dessa evolução retornaríamos ao hospital no momento certo. Lembro que fiquei
triste por saber que precisaria retornar para casa..minha real vontade era
permanecer no hospital. Mas eu sabia também que a dilatação evoluiria com mais
facilidade estando em nossa casa, ambiente mais relaxado e tranquilo comparado
ao ambiente hospitalar.
Chegando em casa utilizei a bolsinha térmica orientada pela Dani para
relaxamento da lombar. Fomos então registrando no aplicativo do celular as contrações e intervalo entre
elas. Fabinho esteve a todo momento comigo no quarto me ajudando nesse registro
e fazendo as massagens com óleo. Tomei banho, almoçei (pouco apetite) e as
contrações comecaram a ficar mais intensas por volta das 11h40. Não conseguia
ficar sentada ou deitada na cama; piorava muito as dores na lombar. No momento
da contração preferi me apoiar na leteral da cama com as duas mãos apoiadas
inclinando o quadril para frente..me achei nessa posição, aliviava bastante.
Utilizei muito a bola do pilates, quicando sentada nela, girando o quadril,
esticando a coluna com apoio na cama..isso no intervalo das contrações. Apreciei
olhar para minha janela do quarto aberta vizualizando a natureza e as
montanhas..isso fazia-me relaxar.
No momento da contração Fabinho
fazia massagem em minha lombar com óleo de camomila me aliviando a passar por
cada uma delas. Utilizei muito a respiração profunda que aprendi no livro
“Parto Ativo”. Os gemidos comecaram a vir com a intensidade das contrações. A
Queila, minha funcionária da casa, me ajudava também com as massagens enquanto
Fabinho fazia contato com a Dani para avisar que as contrações estavam mais intensas começando a ficar
insuportáveis. Comecei a gemer muitoo..daí novamente fizemos contato com a Dani
já avisando que estávamos indo para macaé pois eu já não aguentava mais.
Chegamos a registrar no aplicativo 40 contrações.
Saindo de casa as 16h , me recordo
que quase despenquei totalmente ao chão de tanta dor, o meu cachorro Ton ficou
assustado ao me ver gemer e arriar ao chão . Entramos no carro, Fabinho
dirigindo e eu no banco de trás com a Queila para me ajudar com a massagem na
hora que a dor viesse. Não entrei em contato com a família pois sabia que
estava apenas iniciando todo o processo..na verdade não há necessidade em
deixar a família ansiosa antes da hora..tudo tem o momento certo.
Quando chegamos a Rio das Ostras paramos no
trevo para Queila sair retornando para Casimiro com meu sogro e a Dani entrar
no carro para nos acompanhar até Macaé.
Quando a Dani viu como eu estava em prantos de dor ela começou a trabalhar a
minha mente na respiração..com ela tudo de fato naquele momento começou a
mudar, foi algo incrível.. ela me passava total tranquilidade e foco ao
processo..importantíssimo é o papel da Doula para uma gestante. Nos ajuda a
tira o foco da dor aliviando muito esse momento.
Quando chegamos ao Hospital São João
Batista, fui encaminhada para um quarto no 1º andar até que o quarto onde fosse
ocorrer o parto fosse desocupado. Logo o Dr Andre chegou e já fomos para o
nosso quarto já preparado. Ao invés de usar o elevador, Dr Andre me fez ir
subindo as escadas até o 3º andar
onde seria meu quarto, para ajudar na evolução da dilatação. Subi alguns
degrais e na hora da contração eu parava me inclinando os joelhos para frente
até a dor passar. Interessante foi a
reação das pessoas ao me ver utilizando as escadas..me olhavam assustadas,com
pena julgando não ser necessário, as enfermeiras do hospital queriam que eu
subisse de elevador e na cadeira de rodas rs.
Chegamos no quarto, a Dani foi
preparando todos os detalhes escohidos por nós:um ambiente mais relaxado,
penumbra, músicas lindíssimas escolhidas para esse momento, vela aromatizada e
muito, muito silencio. Quando comecei a ouvir as músicas que selecionamos com
tanto carinho, me emocionei muito..foi o momento que caíu a ficha , momento tão
esperado e idealizado estava de fato
acontecendo.
Tive a todo momento liberdade para
comer, caminhar, tomar água, enfim,
momento totalmente direcionado por mim. Lembro que a posição que mais me
sentia bem durante as contrações , era
apoiando as mãos na cama e inclinando os joelhos para frente. Solicitei
exatamente em TODAS as contrações a massagem da Dani em minha lombar e sempre,
com respiração profunda, pois isso me ajudava muito a tirar a mente do foco à
dor.
Acho
que por volta das 19h30 Dr André fez o toque para acompanhar a dilatação e para
nossa surpresa eu já estava com 7cm de dilatação. Imediatamente Dr André
ligou para a pediatra Leandra e a Dani para a fotógrafa Sandra que ficou
responsável pelo registro de todo esse momento.
Não consigo me recordar dos horários
porque o cérebro não consegue se ligar ao tempo, mas relatarei as experiências
vividas até a fase da expulsão.
Foram muitas contrações e a medida
que o tempo passava, eram mais intensas e com
intervalo mais curto entre elas. Lembro que em todo momento, Fabinho
estava ali, no quarto sem sair em nenhum instante, me dando apoio
incondicional em minha decisão. O apoio da equipe e do marido nos favorece e
muito.
Sobre as minhas emoções, vivenciei
em diversos momentos e fases do trabalho de parto diversos fatos interessantes
e curiosos rs. Fabinho para me ajudar tentou em diversos momentos, me carinhar
no intuito de me ajudar, me amparar, só que isso para mim não me fazia bem, eu
mesma retirava a mão dele de mim, não me
sentindo bem com isso rsrs
Quando as contrações estavam
apertando e o tempo passando, comecei a me sentir um pouco fraca e meu corpo
insconscientemente começou a economizar toda energia que porventura viesse a
ser desperdiçada. Fechei meus olhos, não falava absolutamente nada, o que me
perguntavam eu respondia apenas com o movimento da cabeça. Lembro que Dr André
a todo instante media os batimentos de Théo para ver se estava tudo caminhando
bem. E ele me perguntava se eu estava bem, se estava dando para aguentar, se
talvez por livre vontade eu desejaria ir para o centro cirúrgico para alguma
intervenção para ajudar nessa reta final. E eu, sempre firme respondia que não
cederia, aguentaria até o fim.
Mas lembro também que minha mente
queria me dizer que eu não daria conta, que eu não seria capaz de parir . Mas
imediatamente eu me forçava a pensar que muitas mulheres conseguiram parir do
jeito que eu sonhei, e por que logo eu não seria possível. Pensava o seguinte,
se a Gisele Bundchen, a Andreia (esposa do Mácio Garcia), Luciana Gimenes,
Fernanda Lima conseguiram parir da forma mais natural possível, que motivo me
levaria a desisitir...
A força que temos é algo
inexplicável, tive a impressão nítida no momento da expulsão, ter utilizado
músculos de meu corpo que jamais foram utilizados.
Mas continuando, como já disse, não
posso afirmar a hora exata mas creio ter sido umas 22h. Dr André através do
toque, viu que eu já havia dilatado os 10cm. Só que Théo não havia decido o
necessário, por ter tido a preferência de ficar a maior parte do tempo sentada,
agachada ou em pé, tive um ligeiro edema. Então ele me pediu para deitar na
cama passando por algumas contrações deitada . Me deitei e senti
verdadeiramente muitaa dor. Deitada para mim foi a pior posição, aumentava por
demais a dor. Mas obedeci rs, me deitei , fiquei de lado, Dani me deu a mão,
segurou uma de minhas pernas, e fiz
muita força. Passou um tempo, que não me recordo quanto rs e sai desta
posição. Logo depois o Dr conferiu pelo toque e o edema havia desaparecido com
a graça de Deus.
Como o tempo foi passando, e minha
bolsa nao havia estourado espontaneamente, Dr André me disse que faria o
procedimento para estourar, ajudando na evolução final. Entao me deitei
novamente, respirei fundo com a Dani segurando firme em minhas mãos e Fabinho
ao lado me dando força, e na hora que viesse a contraçao o Dr estouraria, e
assim foi. A barriga ficou bem menor, líquido desceu quentinho entre minha
pernas e me levantei novamente.
Depois desse momento não desejei
continuar mais de calcinha, ficando apenas de top até o final. O interessante
que o pudor é dimunuído nessa reta final, o cérebro começa a focar em
caracterísitcas internas muito mais importantes para o lado “animal” de parir
venha à tona . Como sentia o bebê descendo e comprimindo mais o canal vaginal,
iniciei as forças para expulsão durante as contrações . Já muito cansada, o
desejo de parir ficou ainda mais intenso. È algo muito forte, muito intenso,
que não consigo explicar a totalidade de tudo que vivi. Fiquei um tempo sentada
no sofá para tentar relaxar um pouco, mas como as contrações foram ficando cada
vez mais intensas decidi ir para a banqueta, me sintia muito bem ali. E dali em
diante começou o processo de vocalização, algo que nunca imaginaria ter vivido,
até porque de acordo com a minha personalidade prefiri desde o início passar
por todo o processo do parto bem quetinha e concentrada, pouquissimas palavras
eu dizia.
“Trabalhar
a respiração e cantar podem sim ajudar. Não como técnica que se aprende para
controlar, Mas como via de libertação.” Frederick Leboyer
Mas então todas as vezes até a hora final vocalizei e vocalizei muito em todo o momento de dor!!! Lembro que mesmo de olhos fechados me recordo que Dr André falou para a Dani “viu só, a vocalização iniciou rs” - disse vibrando de emoção. Esse momento foi muito intenso
Foi de forma mais animalesca.
Vocaliza em tons de 'AAAAAA'. E me sentia bem e segura fazendo isso. O interessante é destacar que isso ninguém pode te instruir, te delegar ou te ordenar.. faz parte do processo natural. É como se eu vivesse muitas coisas dentro de mim, lá dentro no meu inconsciente que precisava se rasgar, se romper, se abrir, se fazer nascer para que aí o Théo viesse ao mundo .Lembro-me disso e me emociono.. toda essa experiência de vocalização foi muitoo divino pra mim...
“Deixei meu lado mais primitivo, mais selvagem
sobressair para que a natrureza fizesse o seu papel.”
Com a contração mais longa e com
menos intervalo, sentia ele descendo. Não queria mais de jeito nenhum sair da
banqueta. Puxava a alavanca nas laterais e fazia toda força para baixo. Fabinho
estava atrás de mim na banqueta, sentadinho, observando e me dando toda força
necessária, não desejou sair do meu lado em
momento sequer.
Dr
André me examinou ali mesmo sentada, e viu que Théo estava bem próximo. Na hora
das forte dores eu ficava na ponta do pé e retorcia o meu corpo para as
laterais. Dai em diante iniciei o processo de expulsão, mas tudo de
olhos fechados, não sentia desejo de abrir os olhos. E todos me dando todo amparo,
todos pertinho de mim. Me recordo que a pediatra Dr Leandra me ajudou dizendo
para que naquele momento eu fizesse força cumprida porque Théo já precisaria
nascer. Então pausei , respirei e fiz a força cumprida sem gritar, todos
os sentidos do meu corpo foram concentrados para a expulsão. Dei a primeira
força cumprida e por sinal muito cumprida rs, e Dr André disse “ele está vindo
, vamos Andreza, vamos, continue!!!”.. Nisso eu senti uma força , uma pressão
surreal na vagina. Dei uma pausa pequenininha e fui e fiz a última força para
expulsão final e nisso não se falaram mais nada. Ouvi o choro do meu bebê
fortíssimo e Dr André o pegou na banqueta e me deu em meus braços
imediatamente.
Foi
indescritível esse momento, quando
consegui ver que você dei conta
eu não acreditei..fiquei perplexa, em altíssimo extase, contagiante
extase. E eu dizia “Meus Deus eu não acredito, eu estou no céu, o que é isso
que estou vivendo!!!!!!..Meu Deus.. e falava pra elezinho: Meu filho seja muito
bem vindo, você estava sendo muoto esperado, você foi muito forte, seja bem
vindo meu filho...e conversei muitooo com elezinho..o coloquei em meu seio para
mamar mas nesse momento ele não quis, preferiu me ouvir e chorar muito rsrs.
Não consigo colocar toda emoção em palavras... Meu marido caiu em prantos de
choro, mas chorou muito comigo ali junto, grudadinho sentado na banqueta
comigo.
Com
elezinho no meu colo, o cordão umbilical preso à placenta que ainda estava em
meu ventre, tudo interligado, fiquei ali por minutos vivendo e sentindo todo
aquele amor , toda aquela realização de um sonho, parir de forma totalmente
natural.
Dr
André deixou que Fabinho cortasse ali mesmo na banqueta o cordão umbilical do
nosso filho.
Logo
depois disso a pediatra o pegou para
pesar, medir e fazer os procedimentos de rotina necessários, mas tudo ali mesmo
no quarto. Apenas para o banho que a pediatra o levou para o berçário e depois
o retornou brevemente a mim.
Théo
nasceu lindamente as 23h43min com 3kg045 e 48cm. Nota do Apgar: 9,5 e após 5 minutos nota 10.
Quando
eu converso sobre meu parto, me chamam de corajosa. Não me considero mais
corajosa que ninguém, me considero informada. A informação me fez enxergar essa
opção como a melhor para nós dois. E o fato de sempre ler sobre o assunto, entender
o trabalho de parto e etc, me ajudou a enfrentar da melhor forma possível. Foi
difícil, doloroso, a gente chega a pensar na anestesia que abrimos mão sim, mas
não tem nada, nada, nada igual ao sentimento de “consegui” que vem logo depois!
Parir
é também um encontro consigo mesmo. É preciso mergulhar no que há de mais
profundo em você para conseguir se conectar com seu corpo e com o corpo que
habita dentro de você. Requer entrega. É só deixar levar, literalmente não usar
o cérebro, pensar, formular estratégias, preocupações, nada adianta nesse
momento. Apenas se entregar...
Curiosidade: contratamos a querida
Sandra que já fazia parte da equipe do Dr André, para fotografar todo o
trabalho de parto e assim aconteceu. Mas no final, mais ou menos 1 hora antes do nascimento eu
pedi que a retirassem do quarto. Não que eu não estivesse gostando do serviço,
mas parecia que naquele momento era como se estivesse em meu ninho, permanecendo ali quem já pertencesse ao meu
ciclo de vida. E como eu a conheci no dia de parir, não tivemos tempo hábil para criarmos vínculo.
Lembro que no finalzinho antes de Théo nascer eu pedi para ela retornar
ao quarto mas ela já havia chegado em casa e não daria tempo de retornar. Dr
André disse para eu não me culpar, que esse processo é muito íntimo, que isso
realmente acontece realmente e de forma voluntária. As fotos profissionais do
trabalho de parto ficaram lindíssimas mas no momento do nascimento as fotos que
prevaleceram foram do celular da Doula Dani rs.







