Inspirado pelo relato do
parto da minha esposa Priscila Guido (que foi excelente, diga-se de passagem),
resolvi relatar um pouquinho do que foi para mim tudo isso que aconteceu na minha vida nos últimos anos. Nunca
fui muito bom em escrever publicamente sobre mim, mas vou fazer o meu melhor.
Lá vai:
"Ser pai" sempre foi algo que pensei e discuti pouco ou quase nada ao longo dos meus 28 anos (tô ficando velho, xessus). Tive certeza por várias vezes que nunca seria pai, que não queria ter filho. Fugia da responsabilidade, do trabalho, da preocupação e de parar e pensar em tudo isso. Me conheço o suficiente pra saber que quando preciso ou escolho cuidar de algo, eu me jogo de cabeça, esqueço tudo, coloco todas minhas vontades em segundo plano. Por causa disso já tive experiências extremamente ruins na minha vida, mas não era só por causa disso. Eu simplesmente não conseguia me ver pai.
Casado com a Priscila, apareceu um mundo novo pra mim. Descobri um amor sem limites, uma vida nova, muito carinho e cumplicidade. Uma companheira para dividir minhas chatisses, minhas ideias malucas, minhas conclusões mirabolantes de tudo que existe, que não existe e que pode ser que exista. Sempre vivemos com a maior transparência possível, nos entregamos da mesma forma e somos muito parecidos nessa coisa do "se jogar de cabeça". Era (e é) perfeito.
Desde sempre ela queria ser mãe. Desde sempre mesmo. Um dos primeiros papos que tivemos mais sérios foi sobre família, mais ou menos aquela perguntinha basicona "Quer ter filhos?", ela disse sempre muito firme, decidida e sem nenhum medo: sim, eu quero ser mãe.
E, ao longo do relacionamento, com a intimidade e a intensidade aumentando, fomos começando a tomar algumas decisões para que isso acontecesse. Por várias vezes eu me perguntava se eu estava pronto, porque não queria errar de jeito nenhum. Me preocupava com as contas, com a economia do Brasil, com a estabilidade do meu emprego, se já estava na hora.. Acho que isso é coisa de (futuro) pai.
Mudar a rotina, acordar de madrugada, não poder mais sair pra onde quiser sem muito planejamento.. Pensar em perder isso dava medo. Ter uma relação tão boa com a minha esposa faz a mudança dar MUITO medo, seja ela qual for. Aquela velha frase besta "Em time que está ganhando não se mexe". Bom, vou começar a discordar totalmente nesse momento.
"Ser pai" sempre foi algo que pensei e discuti pouco ou quase nada ao longo dos meus 28 anos (tô ficando velho, xessus). Tive certeza por várias vezes que nunca seria pai, que não queria ter filho. Fugia da responsabilidade, do trabalho, da preocupação e de parar e pensar em tudo isso. Me conheço o suficiente pra saber que quando preciso ou escolho cuidar de algo, eu me jogo de cabeça, esqueço tudo, coloco todas minhas vontades em segundo plano. Por causa disso já tive experiências extremamente ruins na minha vida, mas não era só por causa disso. Eu simplesmente não conseguia me ver pai.
Casado com a Priscila, apareceu um mundo novo pra mim. Descobri um amor sem limites, uma vida nova, muito carinho e cumplicidade. Uma companheira para dividir minhas chatisses, minhas ideias malucas, minhas conclusões mirabolantes de tudo que existe, que não existe e que pode ser que exista. Sempre vivemos com a maior transparência possível, nos entregamos da mesma forma e somos muito parecidos nessa coisa do "se jogar de cabeça". Era (e é) perfeito.
Desde sempre ela queria ser mãe. Desde sempre mesmo. Um dos primeiros papos que tivemos mais sérios foi sobre família, mais ou menos aquela perguntinha basicona "Quer ter filhos?", ela disse sempre muito firme, decidida e sem nenhum medo: sim, eu quero ser mãe.
E, ao longo do relacionamento, com a intimidade e a intensidade aumentando, fomos começando a tomar algumas decisões para que isso acontecesse. Por várias vezes eu me perguntava se eu estava pronto, porque não queria errar de jeito nenhum. Me preocupava com as contas, com a economia do Brasil, com a estabilidade do meu emprego, se já estava na hora.. Acho que isso é coisa de (futuro) pai.
Mudar a rotina, acordar de madrugada, não poder mais sair pra onde quiser sem muito planejamento.. Pensar em perder isso dava medo. Ter uma relação tão boa com a minha esposa faz a mudança dar MUITO medo, seja ela qual for. Aquela velha frase besta "Em time que está ganhando não se mexe". Bom, vou começar a discordar totalmente nesse momento.
Cada vez a Priscila me
fazia acreditar mais que eu seria um bom pai. Fazia minhas qualidades
aparecerem pra pessoa mais crítica com relação a isso: eu mesmo. Não virei pai
no dia que a Aimée nasceu.. Eu já estava em processo desde o dia que conheci
minha esposa. Fui melhorando como ser humano, como marido. Descobri qualidades
e defeitos que nem sabia. Me recriei. Fomos administrando cada vez melhor o
início de casamento que é complicadíssimo e chegamos a um ponto da relação que
nunca imaginei de tão equilibrado e saudável. Como duas pessoas podem se
completar tão bem?
Então, após superar todos os medos e preocupações, comecei a curtir a ideia. Começamos a pesquisar sobre partos, como seria, onde seria. Eu, que achava que só paria fora de hospital quem não chegava a tempo, descobri um mundo novo: o parto humanizado. Minha esposa me apresentou essa "loucura" e cada coisinha que eu lia ou via a respeito, eu ficava mais admirado. Ver uma cesárea era praticamente um filme de terror pra mim. Só conseguia pensar "coitada dessa criança!".
Minha esposa sempre forte e decidida, queria o parto normal. Sempre quis. E eu respeitei, apesar de achar meio loucura. Depois de pesquisar e entrar nesse mundo, loucura era não fazer parto normal. Então tudo perfeito, é só parir!
Só que não, né. Parto normal aqui na nossa região é quase impossível. Pelo menos um respeitoso. Na verdade, até "desrespeitoso" é quase impossível. Reviramos os médicos do plano de saúde de cabo a rabo, nada. Decidimos que iríamos ter em casa se fosse necessário, mas cesárea não iria rolar mesmo. Pois bem, começamos a tentar.
Priscila foi em um médico para começar a fazer os exames necessários e bater um papo sobre isso. Fomos informados pelo médico que iria demorar um pouco. Demorou mesmo, ô. No mês seguinte estávamos grávidos! Que coisa mais assustadoramente maravilhosa! Priscila me contou no dia que soube, com direito a cartinha e muitas lágrimas. As dúvidas e preocupações ainda estavam lá, mas a felicidade foi muito maior que isso.
Daí começamos a busca de verdade por um médico de confiança. Fomos em vários GOs e não gostamos de nenhum. Na verdade, odiamos o tratamento de todos eles. É assustador esse "mercado de cesárea" e a violência que as grávidas sofrem. Acho que só quem realmente vive isso entende o tamanho da crueldade.
Então, além de nos tornarmos pais, precisamos nos tornar rebeldes. Porque, sério, 99% das pessoas te acham maluco. Parir numa piscina? Com parteira? Sem anestesia? Você vai deixar sua esposa e seu filho correrem risco?
Confesso que não sei o que faria se eu que fosse parir. Mas a coragem e determinação da Priscila me encorajaram a tudo com ela. Defender suas vontades e garantir um parto respeitoso era minha primeira missão como novo pai.
Então, meio sem querer e sem esperanças, fomos em um encontro do Humanize que minha esposa achou no Facebook. E achamos um grupo de pessoas com situações parecida, dúvidas e objetivos que nos identificamos demais. Encontramos ali a equipe que realmente confiamos e era o que precisávamos. As próximas 28 semanas (sim, porque eu sei contar semanas agora) foram de total entrega. Vivemos intensamente tudo isso. Choramos diversas vezes de emoção em pensar que nosso amor teria um fruto. E o dia chegou.
Ver sua esposa parir é assustador, de verdade. É uma sensação de impotência absurda. Parece que a hora não passa, você realmente não tem o que fazer além de dar força e atender cada coisinha que possa aparecer pra você fazer por ela.
Eu sempre admirei a Priscila, mas essa experiência foi algo sobrenatural. Quanta força, concentração, foco.. É praticamente uma palestra motivacional ao vivo.
E assim foi. Das 11 da manhã até as 15:30. Basicamente foi dor, chuveiro, dor, cama, massagem da Dani, dor, ar condicionado, dor, mais massagem da Dani, coberta, dor, dor e dor. Pelo menos é o que lembro desse turbilhão de emoção. Mas a dor, claro, é de uma nova vida vindo ao mundo. Uma dor que eu olhava no rosto da minha esposa e sabia que ela tava pronta e estava no controle. Eu que estava em pânico, pra falar a verdade. Sério, como vocês conseguem? Mas suportei e dei o meu melhor. Superei minha vontade de arrancar aquela dor dela e observei todo aquele ritual incrível. Era minha filha vindo ao mundo de verdade.
Saímos correndo de casa, pois esperamos até o último minuto pra ir pro hospital. Minha filha queria nascer na cozinha de casa, no terreno ao lado da nossa casa, no carro do Dr. André a caminho do hospital, mas minha esposa novamente superou as dores e inclusive a natureza e segurou. Chegamos no hospital e 12 minutos depois a Aimée chegou. Rápido assim. Ninguém tocou nela antes da Priscila. Ela saiu, apareceu para o mundo num silêncio angelical e minha esposa a puxou para os braços. Lembro que além de dor tinha muito, muito sangue. Então ela chorou nos braços da minha esposa e nós dois nos olhamos sabendo que tínhamos subido mais um patamar nas nossas vidas. Os olhos encheram de lágrima, porque até então era tanta pressa e tanta adrenalina que nem dava pra pensar muito bem em tudo que estava acontecendo.
Isso tudo aconteceu em um dia e eu demorei quase 2 meses pra conseguir tentar começar a me explicar. Meus sinceros agradecimentos a Dani e ao Dr. André que fizeram tudo isso com tanta destreza, delicadeza e amor. E principalmente a minha esposa Priscila que, apesar de se achar "cagona", me deu um exemplo de coragem e força de vontade que mudou minha forma de enxergar qualquer desafio que possa aparecer.
Eu sou pai!
Então, após superar todos os medos e preocupações, comecei a curtir a ideia. Começamos a pesquisar sobre partos, como seria, onde seria. Eu, que achava que só paria fora de hospital quem não chegava a tempo, descobri um mundo novo: o parto humanizado. Minha esposa me apresentou essa "loucura" e cada coisinha que eu lia ou via a respeito, eu ficava mais admirado. Ver uma cesárea era praticamente um filme de terror pra mim. Só conseguia pensar "coitada dessa criança!".
Minha esposa sempre forte e decidida, queria o parto normal. Sempre quis. E eu respeitei, apesar de achar meio loucura. Depois de pesquisar e entrar nesse mundo, loucura era não fazer parto normal. Então tudo perfeito, é só parir!
Só que não, né. Parto normal aqui na nossa região é quase impossível. Pelo menos um respeitoso. Na verdade, até "desrespeitoso" é quase impossível. Reviramos os médicos do plano de saúde de cabo a rabo, nada. Decidimos que iríamos ter em casa se fosse necessário, mas cesárea não iria rolar mesmo. Pois bem, começamos a tentar.
Priscila foi em um médico para começar a fazer os exames necessários e bater um papo sobre isso. Fomos informados pelo médico que iria demorar um pouco. Demorou mesmo, ô. No mês seguinte estávamos grávidos! Que coisa mais assustadoramente maravilhosa! Priscila me contou no dia que soube, com direito a cartinha e muitas lágrimas. As dúvidas e preocupações ainda estavam lá, mas a felicidade foi muito maior que isso.
Daí começamos a busca de verdade por um médico de confiança. Fomos em vários GOs e não gostamos de nenhum. Na verdade, odiamos o tratamento de todos eles. É assustador esse "mercado de cesárea" e a violência que as grávidas sofrem. Acho que só quem realmente vive isso entende o tamanho da crueldade.
Então, além de nos tornarmos pais, precisamos nos tornar rebeldes. Porque, sério, 99% das pessoas te acham maluco. Parir numa piscina? Com parteira? Sem anestesia? Você vai deixar sua esposa e seu filho correrem risco?
Confesso que não sei o que faria se eu que fosse parir. Mas a coragem e determinação da Priscila me encorajaram a tudo com ela. Defender suas vontades e garantir um parto respeitoso era minha primeira missão como novo pai.
Então, meio sem querer e sem esperanças, fomos em um encontro do Humanize que minha esposa achou no Facebook. E achamos um grupo de pessoas com situações parecida, dúvidas e objetivos que nos identificamos demais. Encontramos ali a equipe que realmente confiamos e era o que precisávamos. As próximas 28 semanas (sim, porque eu sei contar semanas agora) foram de total entrega. Vivemos intensamente tudo isso. Choramos diversas vezes de emoção em pensar que nosso amor teria um fruto. E o dia chegou.
Ver sua esposa parir é assustador, de verdade. É uma sensação de impotência absurda. Parece que a hora não passa, você realmente não tem o que fazer além de dar força e atender cada coisinha que possa aparecer pra você fazer por ela.
Eu sempre admirei a Priscila, mas essa experiência foi algo sobrenatural. Quanta força, concentração, foco.. É praticamente uma palestra motivacional ao vivo.
E assim foi. Das 11 da manhã até as 15:30. Basicamente foi dor, chuveiro, dor, cama, massagem da Dani, dor, ar condicionado, dor, mais massagem da Dani, coberta, dor, dor e dor. Pelo menos é o que lembro desse turbilhão de emoção. Mas a dor, claro, é de uma nova vida vindo ao mundo. Uma dor que eu olhava no rosto da minha esposa e sabia que ela tava pronta e estava no controle. Eu que estava em pânico, pra falar a verdade. Sério, como vocês conseguem? Mas suportei e dei o meu melhor. Superei minha vontade de arrancar aquela dor dela e observei todo aquele ritual incrível. Era minha filha vindo ao mundo de verdade.
Saímos correndo de casa, pois esperamos até o último minuto pra ir pro hospital. Minha filha queria nascer na cozinha de casa, no terreno ao lado da nossa casa, no carro do Dr. André a caminho do hospital, mas minha esposa novamente superou as dores e inclusive a natureza e segurou. Chegamos no hospital e 12 minutos depois a Aimée chegou. Rápido assim. Ninguém tocou nela antes da Priscila. Ela saiu, apareceu para o mundo num silêncio angelical e minha esposa a puxou para os braços. Lembro que além de dor tinha muito, muito sangue. Então ela chorou nos braços da minha esposa e nós dois nos olhamos sabendo que tínhamos subido mais um patamar nas nossas vidas. Os olhos encheram de lágrima, porque até então era tanta pressa e tanta adrenalina que nem dava pra pensar muito bem em tudo que estava acontecendo.
Isso tudo aconteceu em um dia e eu demorei quase 2 meses pra conseguir tentar começar a me explicar. Meus sinceros agradecimentos a Dani e ao Dr. André que fizeram tudo isso com tanta destreza, delicadeza e amor. E principalmente a minha esposa Priscila que, apesar de se achar "cagona", me deu um exemplo de coragem e força de vontade que mudou minha forma de enxergar qualquer desafio que possa aparecer.
Eu sou pai!
(por Roger Cardoso)



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